Ao sairmos pelas ruas das cidades do Espírito Santo percebemos, mais e mais, que somos muitos e somos diferentes. Ouvimos sons que não correspondem aos nossos sotaques tradicionais, nem à língua portuguesa que falamos. Vemos corpos que se expressam das mais diferentes formas, numa beleza insofismável, a beleza do diferente.
É hora de refletir sobre a marca atingida no final de 2019 de 79,5 milhões de pessoas em situação de migração forçada (fonte: Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Relatório Tendências Globais 2020). Isso quer dizer que 1% de toda a população do planeta foi obrigada a fugir de seus lares, deixar seus países, familiares e amigos, em busca de um abrigo, de um refúgio, de um lugar melhor para viver e criar seus filhos.
Somos muitos humanos, somos cerca de 7,5 bilhões de homo sapiens habitando o planeta Terra há pelo menos 150.000 anos. Mesmo assim, apesar de tanto tempo de convivência recíproca, vemo-nos atualmente diante da maior crise de mobilidade humana já enfrentada pela humanidade, nunca tantas pessoas foram obrigadas a deixar os seus lares na história.
Essa situação parece muito distante de nós, uma realidade que atinge países em guerras, ditaduras políticas, e você deve estar se perguntando: o que tudo isso tem a ver comigo?
Como disse no começo desta coluna, se olharmos bem ao nosso redor, se percebemos os sotaques, os corpos e os sons que nos circundam agora, veremos que vivemos aqui também, no Espírito Santo, em meio a um grupo grande de pessoas que estão em situação de migração forçada.
Essas pessoas vêm ao nosso Estado em busca de uma vida melhor, de um acolhimento que rompa o ciclo de violência a elas imposto em seus países de origem; muitas vêm do continente africano, principalmente da República Democrática do Congo, país que vive em uma interminável guerra civil que atinge grande parte da sua população há anos; outras vêm da Venezuela, país vizinho ao Brasil que vive um crise humanitária sem precedentes.
A Cátedra Sérgio Vieira de Mello do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR/ONU), instalada na Universidade Federal do Espírito Santo, vem fazendo o papel, desde 2015, de mediadora da integração local de estrangeiros em situação de migração forçada no Espírito Santo, as instituições governamentais e a sociedade civil.
Recentemente, em parceria como Projeto Ninho, criado pela Missão Avalanche, uma Missão Urbana que funciona no Espírito Santo com o apoio da Igreja Batista da Praia do Canto e outras igrejas de outras denominações evangélicas, a Cátedra Sérgio Vieira de Mello da Ufes passou a integrar o projeto de interiorização de venezuelanos no Espírito Santo.
Poucos sabem, mas muitos venezuelanos que chegam ao Brasil ficam estacionados em Roraima sem condições financeiras de buscarem a integração local no país por conta, primariamente, da ausência de meios financeiros para sair de Pacaraima ou Boa Vista, cidades de Roraima que mais abrigam refugiados venezuelanos no Brasil.
A fim de mudar essa situação, o governo brasileiro iniciou a operação acolhida em parceria com o ACNUR, para que as pessoas que chegam ao Brasil em busca de refúgio possam ser melhor recebidas, acolhidas e integradas.
Não pensem que é somente o governo e as ONGs que podem fazer a diferença na vida das pessoas em situação de migração forçada: todos nós podemos! Atualmente, o Projeto Ninho tem dois projetos em andamento que precisam de doações financeiras para o acolhimento de refugiados, um para uma família de venezuelanos que acabou de chegar de Boa Vista, e outro para cobrir as despesas de aluguel de uma mãe e uma criança congolesas, desabrigadas, que precisam de um local de moradia digna em Vitória.
Se você está disposto a ajudar, antes de enviar dinheiro para outros países, entre em contato com o @projetoninho.es via Instagram e faça a sua doação aqui mesmo, para refugiados vivendo pertinho de nós. Em caso de dúvidas, estamos à disposição na Ufes pelo endereço de e-mail: [email protected].