A percepção das mudanças climáticas e do aquecimento já está presente em nosso dia a dia. Faz-se urgente que sejam tomadas medidas que minimizem esse impacto sobre nosso meio ambiente, em especial sobre o ambiente urbano.
Recentemente na COP30, em Belém do Pará, foi lançado o Plano Nacional de Arborização Urbana (Planau). Esse plano, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), elenca uma série de ações propositivas nas diferentes instâncias Governamentais. Trata-se de um programa de ações que busca ampliar a cobertura arbórea das cidades e com isso promover a biodiversidade e proporcionar melhores condições de utilização do espaço público.
O Planau apresenta dados técnicos comparativos sobre a redução da carga térmica em espaços sombreados em até doze graus celsius. Esse dado por si só já estabelece a necessidade urgente de ações efetivas não somente sobre a Região Metropolitana da Grande Vitória, mas também no interior do Estado.
O que pode parecer algo simples, mostra-se, na verdade, como um desafio de alta complexidade. As intervenções devem ser projetadas e executadas de caso a caso e não como um produto repetitivo.
Temos a diversidade da topografia, das dimensões do arruamento e a compatibilização com as chamadas “utilidades urbanas”, leia-se, conjunto de equipamentos e mobiliários instalados para atender aos serviços da cidade, a exemplo de lixeiras, postes, pontos de ônibus, sinalização, iluminação pública, além de infraestruturas como saneamento, energia elétrica, água e telecomunicações.
Há aqui o desafio de viabilizar o melhor aproveitamento do espaço disponível para a inserção de vegetação, em especial da arborização. Em muitos casos, como nas avenidas e vias arteriais, será necessário incorporar as ciclovias e a demanda mais crescente das pistas de rolamento.
Como resultado efetivo, temos em nossa memória uma série de reformas consolidadas que se mostram espaços áridos e com ausência de conexão, como é o caso das avenidas Leitão da Silva, em Vitória, e Champagnat, em Vila Velha, além da Rodovia Carlos Linderberg.
Esses são exemplos do nosso cotidiano que traduzem a escala da importância de determinados serviços e equipamentos sobre a arquitetura paisagística, e como resultado a perda da qualidade desses espaços, da imagem do ambiente urbano e da necessidade crescente de melhoria dos sistemas de drenagem e captação das águas pluviais.
Integrar sem desqualificar, esse é o desafio. Cabe ao poder público, juntamente com arquitetos e engenheiros, buscar novas soluções urbanísticas, criar alternativas e, por fim, otimizar o espaço das áreas públicas, estabelecendo, assim, critérios de ocupação das áreas verdes, em especial da arborização urbana.
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