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Coronavírus

'Pare e siga' funciona para avenidas e rodovias, não para a pandemia

Tentativas de controle da taxa de contaminação pela Covid-19 na base do pare (cria restrições à circulação de pessoas) e siga (reabertura de estabelecimentos, escolas etc.) apresentou resultados lamentáveis

Públicado em 

08 abr 2021 às 02:00
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

Imagens do trânsito no local, em sistema pare e siga
No "pare e siga", enquanto uma das pistas está em obras, a outra opera nos dois sentidos Crédito: Divulgação/DER
O sistema "pare e siga" geralmente funciona na construção e manutenção de vias. Enquanto uma das pistas está em obras, a outra opera nos dois sentidos de forma alternada, de maneira a distribuir de forma mais equitativa o tempo de retenção de veículos indo e voltando.
O "pare e siga" quando tentado no combate à inflação – seja via controle de preços, das taxas de juros e câmbio, da importação/exportação etc. – geralmente resulta em fracasso devido ao oportunismo de agentes com acesso a informações privilegiadas.
De forma semelhante, as tentativas de controle da taxa de contaminação pela Covid-19 na base do pare (cria restrições à circulação de pessoas) e siga (reabertura de estabelecimentos comerciais, escolas, relaxamento do número permitido de passageiros em coletivos etc.) apresentou resultados lamentáveis. Como ficou constatado pela experiência capixaba no último ano, a ingênua crença de que seria possível uma recuperação da economia em meio ao combate mal feito do aumento na taxa de contaminação resultou no pior dos dois mundos.
Por um lado, o aumento dramático de mortos e da ocupação de leitos hospitalares. Por outro, uma redução acelerada das atividades econômicas e um aumento lamentável de pobres e miseráveis. Ou seja, pandemônio social e econômico combinado com expansão crescente da pandemia.
Ainda que as restrições estabelecidas pelo governo estadual no passado recente resulte no arrefecimento na dor e no sofrimento de acometidos pela Covid-19 e seus familiares, os próximos meses devem ser de buscas de novas alternativas tanto para diminuir a circulação do vírus quanto para a construção de uma outra lógica de atuação dos governos estadual e municipais na economia.
Uma condição necessária para a diminuição na taxa de contaminação pelo vírus é o afastamento físico das pessoas, principalmente em lugares públicos. Para tanto, restrições precisam ser criadas à circulação de veículos de transporte individual, com destaque para automóveis. Diminuir o número de pistas para o uso de veículos particulares e de vagas de estacionamento em vias públicas pode ser um bom começo. Restringir ao máximo o acesso de automóveis a áreas próximas a equipamentos públicos de lazer e praias vai nessa mesma direção.
Um instrumento efetivo de retomar o crescimento do nível de ocupação de trabalhadores é o enfrentamento da exclusão social, por um lado, via acesso a alimentos saudáveis produzidos em hortas comunitárias e pela agricultura familiar agroecológica. Por outro, através de obras públicas voltadas para melhorias habitacionais, de saneamento, de escolas, postos de saúde, áreas de cultura e lazer, acesso a transporte público.
No Estado como um todo há cursos d’água e terrenos carentes de recuperação que podem ser objeto de frentes de trabalho para a população local que, ao ser mobilizada e remunerada, gera efeito multiplicador nas atividades econômicas em vilas e cidades próximas. Isso gera enraizamento do crescimento econômico, e seus efeitos positivos sobre a inclusão social já são conhecidos e precisam ser reconhecidos.
A lista do que é possível fazer e que já teve resultados positivos em outras tempos e em outros locais pode ser ampliada. O mais importante, entretanto, é que cada medida tanto de combate à Covid-19 para além da letárgica vacinação, quanto de recuperação da atividade econômica, se dê através de ações orquestradas entre governantes em níveis estadual e municipal (pouco se pode esperar do governo federal sob comando errático e caótico), sociedade civil e empresários – principalmente os de micro, pequenas e médias empresas, que geram mais trabalho e distribuem melhor a renda.
Diante de problemas complexos, como os da saúde e da economia nestes tempos de pandemia e pandemônio, desnecessário procurar soluções fáceis. Isso, sob hipótese alguma, justifica o imobilismo e a inércia. Mais do que nunca é necessário experimentar fazer o novo, o diferente. É melhor correr o risco de cometer erros novos do que ficar repetindo velhos equívocos.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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