Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Pandemia

Crise enquanto oportunidade

Já se sabe que o caminho a percorrer começa com o afastamento social e vai na direção da busca de vacina, passando por negociações e parcerias entre as nações rumo ao bem comum

Públicado em 

30 jul 2020 às 05:00
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

Diferentes grupos de pesquisadores tentam obter vacina contra o novo coronavírus
Países firmam parcerias em pesquisas e na busca por vacina contra o coronavírus Crédito: Immagini/Folhapress
A dimensão, intensidade e pluralidade da crise pela qual passam todos no mundo - independentemente de onde habita, etnia, faixa de renda, escolaridade ou qualquer outro tipo de distinção que se queira fazer entre humanos – indica que ela só será superada se um novo padrão de relações socioeconômicas emergir. Enquanto pandemia, já se sabe que o caminho a percorrer começa com o afastamento social e vai na direção da busca de vacina, fruto do trabalho colaborativo entre equipes de pesquisadores em escala mundial.
Colaboração voltada para o bem comum e que por isso deve ter seus resultados transformados em produtos livres de qualquer tipo de apropriação sob a forma de patente. Procedimento que deve se tornar padrão quando novos medicamentos e equipamentos desenvolvidos de forma cooperativa e voltados para a saúde de todos deixem de ser objeto de lucro empresarial e passem a ser acessíveis a todos que deles precisarem.
A dimensão econômica da crise - que é anterior à pandemia – exige negociações entre nações que precisam exercer sua soberania de forma multilateral e na direção de desmitificar o dogma da supremacia do livre mercado. Supremacia que impõe os interesses financeiros em detrimento daqueles de empresas produtivas – principalmente as de micro, pequeno e médio portes.
Interesses que se colocam acima da soberania de países e que utilizam seu poder financeiro na cooptação de governos no mundo e que colocam a humanidade em risco diante da possibilidade concreta de colapso climático. Tudo na esteira da destruição de biomas como a que vem se acelerando na Amazônia brasileira.
Junto com biomas vão formas que grupos humanos desenvolvem há séculos de se organizarem política, social, cultural e economicamente. Tudo em nome de uma pasteurização que interessa a poucos grupos que crescem na dominação em escala mundial nestes tempos de financeirização globalizada.
Diante desse quadro, é melhor buscar alternativas outras para além da volta ao normal prevalecente até janeiro último. Por tudo o que indica o conhecimento acumulado em diversas áreas do saber, a normalidade de antes da pandemia beira a distopia, porta pouco futuro, se algum.
Melhor usar o "freio de arrumação" a que todxs estamos em maior ou menor grau expostos desde janeiro deste ano para buscarmos enquanto humanidade construir novas utopias. Desejar um futuro diferente e melhor do que o passado legou ao presente é um ato de coragem que precisa ser refletida na indignação coletiva. Indignar-se com o que aí está na economia e na forma como os humanos se relacionam entre si e com os demais seres viventes.
É o primeiro passo a ser dado na direção do inalienável direito à esperança.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Ecovias pede estudo para aumentar velocidade máxima na BR 101 no ES
Imagem de destaque
Operações prendem quatro e apreendem menor com armas e drogas em Linhares
Imagem de destaque
7 receitas de peixe assado para o almoço de Páscoa

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados