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Aquiles Reis é músico e vocalista do MPB4. Nascido em Niterói, em 1948, viu a música correr em suas veias em 1965, quando o grupo se profissionalizou. Há quinze anos Aquiles passou a escrever sobre música em jornais. Neste mesmo período, lançou o livro "O Gogó de Aquiles" (Editora A Girafa)

"Gotas de Oceano", de Camilla Inês, é um EP a celebrar

No trabalho de sete canções, cantora se entregou à responsabilidade de cuidar de cada etapa da criação

Publicado em 18/05/2021 às 13h07
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Capa de "Gotas de Oceano", EP de Camilla Inês. Crédito: Divulgação

A cantora e compositora Camilla Inês está lançando seu primeiro trabalho autoral. Antes mesmo de ouvi-lo, li que Swami Jr. é o produtor de "Gotas de Oceano" (independente). Iniciando a audição, vejo que os instrumentistas são virtuosos e tocam como se fosse a primeira vez dentro de um estúdio. O naipe de metais é feito de profunda capacidade de brilhar. A cozinha é formada por grandes feras. Tudo, enfim, é feito de preciosidades: música e voz a celebrar.

Como venho fazendo em colunas anteriores, nomeio os que estiveram presentes nos EPs e nos CDs – desde a concepção, passando pela arregimentação dos músicos, pela ideia da capa, pela gravação, pela mixagem e pela masterização, até os responsáveis por todo o custo industrial.

Ei-los: Swami Jr.: arranjos, voz, vocais, violões, guitarra, baixo elétrico, teclados e programações; Mestrinho do Acordeom: acordeom; Tiago Costa: piano Fender Rhodes e piano; Ubaldo Versolato: sax tenor; Rubinho Antunes: trompete e flugelhorn; Fabinho Costa: trompete; Allan Abadia: trombone; Marcos Paiva: baixos elétrico e acústico; Kabé Pinheiro: bateria e percussão. E mais: participação especial de Maria Iran e Grupo Samba de Coco Raízes de Arco Verde.

Camilla Inês morou um tempo em Portugal, de volta ao Brasil – afinal, a “saudade mata a gente”. Entregou-se à responsabilidade de conferir a si própria a administração, o cuidar de tudo o que envolve cada etapa da criação de um disco. Assim sendo, chama para si a atenção para o momento no qual a música e a cultura estão à mingua – fazendo das tripas coração em busca de trabalho.

Camilla Inês abre a tampa com “Contra-o-Ponto”. Sua ênfase na vivacidade do trabalho marca o início do arranjo, sem dúvida um início poderoso. A percussão tem o pulso firme. O naipe de metais arredonda a levada. A voz de Inês é viva, afinada, e cresce com o coro masculino. Este momento é a senha para as vozes cintilarem.

Com “Gotas de Oceano”, o violão abre o arranjo para a voz de Camilla, que, por sua vez, dá um lance absoluto aos instantes em que a percussão enriquece a interpretação. O arranjo conduz sua voz encorpada, a bem se relacionar com vozes femininas e masculinas.

Em “Sereia”, vocalizes de Inês abrem o arranjo pleno de acertos. Seus agudos vão diretos ao alvo. O suingue abraça o som. O trompete arrasa num intermezzo com metais e vozes. O arranjo finda quando o coro dá ao canto uma sincera emoção.

Graças às interpretações instrumentais e aos arranjos, o repertório interage com levadas que se multiplicam à vontade, do início ao fim.

E, por isso, ao brilharem, o cello e o trompete surpreendem com magias sonoras que amparam e dignificam a boa voz de Camilla Inês.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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