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Coluna do Aquiles

"A Flor do Som" é um álbum trilegal

Segundo disco de Leandro Bertolo é um belo trabalho para quem não aguenta mais mortes, negacionismo e desesperança

Publicado em 04 de Maio de 2021 às 16:46

Públicado em 

04 mai 2021 às 16:46
Aquiles Reis

Colunista

Aquiles Reis

O músico Leandro Bertolo
O músico Leandro Bertolo Crédito: Divulgação
A expressão do título qualifica o que há de melhor no Rio Grande Sul. Hoje é dia de "A Flor do Som" (independente), segundo álbum do compositor, vocalista e guitarrista gaúcho Leandro Bertolo – que ilumina o orgulho pelo chão em que nasceu.
Ao pensar em trilegal... bem, ao conquistar a Copa do Mundo, disputada no México, em 1970, o Brasil sagrou-se tricampeão... e os gaúchos cunharam a expressão que significa algo mais do que "excelente": trilegal.
Das onze músicas, sete são de Bertolo, três em parceria com sua esposa Bianca Marine e uma com Gustavo Filho. Composições que patenteiam o raciocínio musical de um compositor que sabe do que é capaz, e o faz.
“Flor do Som” (Leandro Bertolo e Bianca Marini) abre o álbum revelando o porquê do título: o casal está em Gramado, RS. Bianca tem nas mãos um pequeno vaso de vidro em forma de flor cujo repertório vinha de uma lista de músicas diversas. Eles perceberam o que tocava naquele momento era Mozart: o que lhes pareceu um belo título para o disco que ali aflorava. Com arranjo de Alexandre Vieira, brotava o violão de Bertolo, mais batera (Jua Ferreira), baixo (Nuno Prestes), pianos (Luis Henrique New) e o sax (Marcelo Ribeiro). Belo e romântico início.
“Momentos Felizes” (Leandro Bertolo e Gustavo Filho), um convite a deixar a tristeza de lado e vislumbrar renovada esperança na vida. Para tanto, lá estão o arranjo de Luis Henrique New, pianos, violão e voz (Leandro Bertolo), batera, baixo e a flauta de Luizinho Santos.
Em “Armadilha” (LB e Bianca Marini) o arranjo é de Luis Henrique New. Nele brilham flauta, baixo, batera, percussão, violão e a voz de Leandro Bertolo. Desde o início lento até que o bolero-salsa agite a levada, as cordas vêm bem dispostas. O intermezzo é da flauta, enquanto Bertolo, um bom e afinado cantor de suas próprias músicas, tem nos violinos (Vagner Cunha) um bom aconchego.
“Canto Forte” (LB) tem Bertolo cantando à capella, noutro belo arranjo de Luis Henrique New. O samba vem na percussão (Cassiano Miranda e Kico Moraes). Em alguns momentos a letra é quase falada. A pegada segue com cavaco (Cabelinho), violões de sete e de seis cordas (Max Garcia), batera, baixo, coro e os pianos de Luis Henrique New.
“AT’KI” (LB): com arranjo de Luiz Henrique New e de Alexandre Vieira, o fervor do passo do frevo esquenta com a voz de Bertolo. Para tanto, batera, guitarra (Ed Souza), baixo, sax alto (Luizinho Santos), trompete (Renato Dall`Ago) e o trombone de Humberto Boquinha contribuem para o fecho de ouro do álbum.
"A Flor do Som" é um belo disco criado por Leandro Bertolo para compartilhar seus acertos com os ouvintes que têm na música um bálsamo de fé e força, para quem não aguenta mais mortes, negacionismo e desesperança.

Aquiles Reis

Aquiles Reis é músico e vocalista do MPB4. Nascido em Niterói, em 1948, viu a música correr em suas veias em 1965, quando o grupo se profissionalizou. Há quinze anos Aquiles passou a escrever sobre música em jornais. Neste mesmo período, lançou o livro "O Gogó de Aquiles" (Editora A Girafa)

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