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Aquiles Reis é músico e vocalista do MPB4. Nascido em Niterói, em 1948, viu a música correr em suas veias em 1965, quando o grupo se profissionalizou. Há quinze anos Aquiles passou a escrever sobre música em jornais. Neste mesmo período, lançou o livro "O Gogó de Aquiles" (Editora A Girafa)

Diogo Monzo: um pianista erudito com alma popular

Monzo acaba de lançar "Sebastiana",  um dos grandes álbuns instrumentais do ano

Publicado em 13/10/2021 às 09h28
O pianista fluminense Diogo Monzo
O pianista fluminense Diogo Monzo. Crédito: Divulgação / Igor Gripp

O pianista, compositor e arranjador Diogo Monzo acaba de lançar "Sebastiana" (Biscoito Fino), nas plataformas de música. Acompanho sua trajetória desde que ouvi e comentei dois de seus discos: "Filhos do Brasil" e "Luiz Eça por Diogo Monzo", álbuns que revelam a admiração de Monzo pelo imenso Luiz Eça.

Sobre Monzo eu escrevi: “Suas interpretações ao piano, renovam as músicas. Muito embora sendo um músico erudito, a veia popular de Monzo faz com que os improvisos não caiam na esparrela de sobrepujar as linhas harmônicas e melódicas de canções já devidamente preservadas no imaginário popular.

O álbum atual reforça minha admiração por Luiz Eça e por Diogo Monzo, ele que vem com um trio de responsa – ele (piano), Bruno Rejan (contrabaixos acústico e elétrico) e Di Stéfano (batera), além da participação da violonista Roberta Mourim.

A tampa abre com “Song for Sebastiana” (Diego Monzo), homenagem de Diego Monzo à sua vó falecida recentemente em decorrência da Covid-19.

Vamos lá! Um acorde do piano antecipa desenhos arrítmicos. E lá vai ele teclando belas notas de saudade. Ainda que um pouco esquecido pela mixagem, o baixo acústico segura a onda. A batera vem com vassourinhas. O contrabaixo marca a levada.

Apoiado pelo baixo e pela batera, o piano volta a improvisar, o que faz com o requinte de um músico erudito&popular. A linha melódica é rica em harmonia, preenchendo a levada com o luto da lembrança. O contrabaixo sola e ganha merecido destaque. O piano volta ao improviso.

O contrabaixo sola e assume o protagonismo por alguns compassos. Logo o piano retoma o improviso. O trio se ajunta, e com o vigor de instrumentistas virtuosos, vai ao final.

“Segredos” (Diogo Monzo) tem novamente o trio como responsável pela excelência sonora. O piano carrega a levada. A batera garante o ritmo do samba. O contrabaixo elétrico marca a levada com a segurança de um bamba. A batera garante o suingue. O contrabaixo elétrico sola e conduz o tema até a tampa fechar.

“Pas de Deux” (Monzo e Fernanda Quinderé) inicia com os pratos da batera triscados de forma precisa e inspirada por Di Stéffano. O contrabaixo acústico destaca seu poder de valorizar desenhos e marcações que engrandecem a melodia e a harmonia. A música é linda – e o trio mantém a altivez e a reverência com que toca em louvor a Luiz Eça.

A tampa fecha com “Mangaba” (DM). Alternados, improvisos ensandecidos vêm com tudo. Acelerada, a levada é de perder o fôlego. Meu Deus!

Enalteço Diogo Monzo: ele produz sensibilidade pela ponta dos dedos! Com ela expressando sua admiração pela diferenciação harmônica.

Sebastiana é um dos grandes álbuns instrumentais do ano.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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