Outro dia, Abdo Filho mostrou aqui, em sua coluna, efeitos positivos e duradouros do Programa de Desenvolvimento de Fornecedores (PDF) na economia capixaba.
Ele mostrou que doze empresas capixabas são fornecedoras de várias atividades e respondem por quase 60% dos serviços nacionais contratados pela Suzano na nova fábrica de celulose de R$ 22 bilhões que ela está construindo em Mato Grosso do Sul.
O PDF foi criado em 1995. É um projeto estimulado na época pelo governo Vitor Buaiz, através do Bandes, do Geres e da Aderes - em parceria com a Findes, Ideies, CDMEC , SINDFER e Sinduscon. Foi e é um sucesso. Essas empresas, por assim dizer, cresceram e multiplicaram efeitos na economia capixaba e ganharam estatura nacional e internacional. Empresas como a Estel, a Imetame, a Fortanks, a Fortes Engenharia, a Hollo Service e muitas outras.
Pois bem. Dois outros projetos relevantes daquele período também demonstram efeitos práticos e pertinentes ainda hoje na economia capixaba. Com a premissa econômica do efeito multiplicador induzido pelo governo.
A inclusão do Espírito Santo na Sudene é também daquela época, de 1998. Foi resultante de um esforço político do governo estadual e da bancada de senadores do estado no período: Elcio Alvares, Gerson Camata e José Ignácio Ferreira. Todos eles ex-governadores. Portanto, outra conquista em convergência política. A Sudene, para quem não se lembra, foi uma bandeira levantada pelo ex-governador Christiano Dias Lopes, com o discurso de que o Espírito Santo era “o nordeste sem Sudene”.
Deu certo em 1998. Esses incentivos fiscais, como se sabe, tiveram, e têm, efeitos multiplicadores na economia estadual, principalmente ao norte, contribuindo para a mudança gradual do perfil econômico capixaba. Linhares, Colatina e São Mateus foram os municípios que mais receberam recursos ao longo do tempo. Juntamente com os incentivos chamados COMPETE e INVEST, criados no governo Paulo Hartung, esses incentivos permanecem com muita relevância no processo de desenvolvimento regional.
Um terceiro projeto relevante para a economia, nesta concepção de efeitos multiplicadores, foi o da Concessão da Rodovia do Sol, em 1998. Quase 25 anos depois, verifica-se ainda, na prática o efeito deste projeto no desenvolvimento de Guarapari e do Litoral Sul do estado.
Não foi, e não é, um projeto meramente rodoviário. Trata-se de um investimento que induziu o turismo e o desenvolvimento do Litoral Sul. Basta olhar fotos antigas da região, a partir de Vila Velha, e comparar.
A mídia tem divulgado que a concessão termina em dezembro de 2023 e que o governo estadual está modelando a licitação de uma nova Concessão. É importante continuar olhando esse projeto não apenas como um projeto rodoviário. Ele é indutor de outros projetos que ainda precisam ter prioridade e foco, ao longo do Litoral Sul e às margens da rodovia, até Presidente Kennedy.
Refiro-me, por exemplo, às regiões de Jacaranema, de Três Praias, da Enseada Azul, de Ubu e de Iriri. É possível induzir projetos turísticos relevantes, claro que respeitando a legislação ambiental. O debate da nova concessão da rodovia do sol precisa estimular esta visão holística do projeto.
No turismo, nós, capixabas, precisamos deixar de ter “complexo de vira-lata”. E os governos estadual e municipais da região precisam desenhar e induzir novos projetos e investimentos.