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Política

Cinquenta tons de cinza na transição política do Espírito Santo

Tanto nos bastidores, quanto na vitrine, as especulações correm soltas. Mas algumas direções são factuais. A primeira é a de que o governador Casagrande mira um projeto nacional

Públicado em 

13 mai 2023 às 00:10
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

Palácio Anchieta, em Vitória
Palácio Anchieta, em Vitória Crédito: Ricardo Medeiros
A sucessão de 2026 no Espírito Santo já está no mercado político. Essa é a novidade política do momento.
governador Casagrande não poderá mais ser reeleito. Portanto, deixa de ser, gradualmente, o portador da convergência das expectativas políticas. O poder político se alimenta de expectativas de... poder político.
Esse fato da revisão das expectativas mexe com o tabuleiro político. Lideranças se movimentam para demarcar e ocupar posições. O pacto de poder já está em mutação.
Tanto nos bastidores, quanto na vitrine, as especulações correm soltas. Mas algumas direções são factuais. A primeira é a de que o governador Casagrande mira um projeto nacional, que pode começar com uma candidatura ao senado em 2026.
Outro movimento, esse de bastidor, mostra a direção do ex-governador Paulo Hartung. Ele declara que não disputará mais eleições. Mas emite sinais de que pode admitir nova candidatura a governador. No mínimo, quer ter protagonismo. Seus aliados de primeira hora estão se movimentando.
No campo bolsonarista, o senador Magno Malta (PL) não descarta uma candidatura à governadoria em 2026, no mínimo para demarcar o terreno e defender a cidadela. Ele não tem nada a perder. Tem mandato de senador até 2030.
Já no campo petista, o senador Contarato e os deputados João Coser e Helder Salomão podem ser candidatos competitivos, principalmente se Lula estiver, lá na frente, bem nas pesquisas.
Mas é no espectro do centro político que começam a surgir fatos novos. A começar pela eventual candidatura do vice-governador Ricardo Ferraço (PSDB). Ele é, hoje, o candidato natural à sucessão de Casagrande. Hábil e experiente, adquire protagonismo natural, mesmo sendo cristão novo na constelação do governo do PSB.
Tyago Hoffmann, que estreia com mandato político na Assembleia, é uma liderança política em formação e ascensão no campo da centro-esquerda. Criatura política de Renato Casagrande, tem capacidade política para ganhar luz própria e habilitar-se à sucessão do seu criador político. Tem a vantagem do caminho da renovação, uma estrada que agrada os eleitores.
Também do campo da juventude e da perspectiva de renovação, Arnaldinho Borgo (Podemos) tem se mostrado bom gestor em Vila Velha, a caminho de consolidação como revelação política. Pode ser reeleito prefeito em 2024 e se cacifar para competir em 2026. Esse é o sinal que emite. Mas precisa ganhar estatura estadual.
Outra revelação como gestor é o prefeito Euclério Sampaio (União Brasil), em Cariacica. Segue trilha semelhante à de Arnaldinho: reeleição em 2024 e cacife para se colocar no páreo em 2026. Também precisa ganhar estatura estadual.
Ainda no campo do centro, duas outras lideranças ganham visibilidade. Marcelo Santos (Podemos), eleito presidente da Ales, coloca-se como candidato a deputado federal em 2026. Amplia o seu protagonismo político nas relações com o governo estadual e com prefeitos politicamente relevantes. Pode desembocar, lá na frente, numa candidatura majoritária.
Josias da Vitoria (PP) também é uma liderança em ascensão. Coordenador da bancada capixaba no Congresso Nacional, já teve seu nome ventilado para disputar a governadoria em 2026. Movimenta-se com leveza por todo o espectro político, no ES e em Brasília. E conquista estatura para alcançar novo patamar em sua ainda curta carreira política. Seu Calcanhar de Aquiles é a baixa penetração política na Grande Vitória.
Tudo somado, existe espaço político no Espírito Santo para um intrincado tricô no espectro que vai da centro-direita à centro-esquerda, mirando a sucessão de 2026. As eleições municipais de 2024 serão decisivas para acumular forças e capacidade de articulação e agregação.
No momento, duas constatações políticas parecem evidentes: (1) em 2026, é tudo japonês, a preços de hoje; e (2) Casagrande precisa olhar mais para a política estadual, para não perder protagonismo e capacidade de articulação. Para começar, seu novo governo precisa criar uma marca pós-pandemia.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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