Os holofotes estão em cima da agenda econômica. Aqui no Espírito Santo. E, acolá, em todo o Brasil. Todos parecem ecoar: “É a economia, estúpido”.
Aqui, é uma reação conjunta de governo e sociedade. Liderados pelo governo estadual, através do vice-governador e secretário de Desenvolvimento, Ricardo Ferraço, as entidades empresariais se mobilizam para colaborar num esforço conjunto para a busca de ajustes nos rumos da política econômica estadual.
Boa notícia. A agenda econômica, no ES, há muito se consolidou como uma agenda de Estado. Precisa continuar assim. E, é claro, precisa ser reajustada continuamente. Transformar a agenda de mudança do perfil da economia estadual em missão de governo e sociedade. Um “think tank” nacional deve colaborar em forma de consultoria, liderado por Vicente Falconi.
No meio tempo, é preciso envolver também neste esforço as grandes empresas de commodities que operam no ES: Petrobras, Vale, Arcelor Mittal, Suzano e Samarco, principalmente. Essas empresas são “agências de desenvolvimento”, com capacidade para gerar investimentos com efeitos multiplicadores. Através da retomada das suas respectivas agendas de verticalização e “transversalização” na economia estadual. Precisam ser convidadas para sentar com o governo e o fórum de entidades empresariais.
Além disso, o governo estadual precisa voltar a organizar missões comerciais internacionais. Pode, por exemplo, seguir a trilha internacional que o presidente Lula está abrindo para recolocar o país nos principais mercados e nas cadeias produtivas globais (que agora vão buscar investimentos em países como o Brasil, o México, a Indonésia e a Índia).
Lula já visitou o Uruguai, a Argentina, os Estados Unidos e agora vai à China. E já recebeu o primeiro ministro da Alemanha. O Espírito Santo precisa entrar nessa trilha, para além de questões político-partidárias.
Aliás, nesta direção, o novo presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos, embarcou nesta semana para a Eslováquia, em missão oficial. Em busca de relações comerciais com aquele país europeu em áreas como gás e petróleo. A Eslováquia tem interesse no mercado capixaba. É positiva a iniciativa da Ales no sentido de colaborar coma agenda de Estado na economia.
Ao mesmo tempo, no país, o governo federal está em vias de anunciar o novo arcabouço fiscal, a ser enviado para o Congresso Nacional antes da reforma tributária. São medidas primordiais para conter e reverter a desaceleração econômica em curso no Brasil.
O governador Renato Casagrande, através do Fórum de Governadores, já está contribuindo para o avanço do debate das duas propostas e da aprovação de ambas no Congresso. Elas são cruciais para reancorar expectativas e superar o “déficit” de produtividade na economia brasileira.
As entidades empresariais capixabas também precisam de maior engajamento nesta “cruzada” pela aprovação das duas propostas no Congresso. Precisam, também, através das suas respectivas entidades nacionais, estimular este e outros debates no âmbito do chamado Conselhão, a ser instalado brevemente pelo governo Lula.
O caminho se faz caminhando. Abrir novas trilhas na agenda do desenvolvimento.