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Política e economia

No Brasil, o horizonte de prosperidade está diante de ameaças conjunturais

É a prosperidade que vai sustentar a democracia. Sem ela, haverá o retorno da raiva e da perda de respeito pelas instituições, que vivemos nos últimos quatro anos

Públicado em 

11 fev 2023 às 00:05
Antônio Carlos Medeiros

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Antônio Carlos Medeiros

Na política nacional, as expectativas políticas e as expectativas econômicas estão desancoradas. Essa desancoragem é um forte empecilho para a almejada pavimentação de um horizonte de prosperidade. Sem prosperidade, a vitória da democracia, conquistada a duras penas nas eleições de 2022, estará ameaçada. Não é figura de retórica. Voltariam a raiva e o desrespeito pelas instituições, caldos do populismo autoritário.
As expectativas políticas iniciam uma trajetória de ancoragem. Com provável estabilização da base parlamentar. Claro, sempre em ambiente de equilíbrio instável – que é da própria natureza da política em democracias heterogêneas e multipartidárias.
Já as expectativas econômicas ainda estão em processo de tensões e solavancos. O presidente Lula continua tensionando o mercado financeiro e mirando o problema estrutural do conflito distributivo (incrustado no Orçamento da União e na repartição da renda nacional).
A ancoragem das expectativas econômicas depende da ancoragem das expectativas inflacionárias, monetárias e fiscais.
Porém (há um “porém”), essa ancoragem depende de pactuar politicamente uma premissa: é preciso superar dogmas macroeconômicos, atuar para além dos modelos econométricos, e inserir a responsabilidade social nas “equações” que embasam as definições das taxas de juros. Fácil? Não, claro que não. Os dogmas estão enraizados. Mas é preciso tentar. Sem prosperidade, não se conseguirá sustentar a democracia. A “equação” é técnica e política.
Fernando Honorato, economista-chefe do Bradesco, aponta uma direção. Defende que há necessidade de discutir “o quanto antes” a questão da meta de inflação. Para ele, a definição da meta pelo Conselho Monetário Nacional “geraria uma redução do ruído na condução da política monetária”. Ele prossegue: “nossa avaliação é que ainda tem espaço para corte (da Selic), na medida em que haja solução para este tema da meta”.
Honorato registra que o debate é técnico e político. “É um debate que envolve uma discussão técnica e escolha política”. Bingo: escolha política. A meta de 3,25% está defasada. Claudio Gonçalves considera que, para o Brasil, uma meta de 4% seria mais realista. Que poderia ser acompanha do alargamento da banda, como foi feito, por exemplo, em 2002.
Isso seria alinhado com o novo arcabouço fiscal que está no forno e que pressupõe redução de gastos e recuperação de receitas, conforme aponta o novo secretário do Tesouro, Rogério Ceron. Ele chama a atenção para “o custo da atuação do BC sobre o custo da dívida e, por consequência, o quanto ele ocupa de espaço no Orçamento, que deveria ser utilizado para outras coisas”.
Ao mesmo tempo, é necessário retomar o debate sobre os altos spreads bancários praticados no Brasil. A concentração bancária foi atenuada pelas fintechs, mas o Brasil ainda pratica um dos maiores spreads do mundo. Juros altos e spreads elevados, uma combinação tóxica que joga para baixo a taxa de investimentos públicos e privados. O novo arcabouço fiscal precisa levar esse dilema em conta. Outra vez: sem dogmas.
Voltando às expectativas políticas. O busílis é o exercício da pactuação democrática, que Lula está colocando em prática. Pactuação não apenas com o Congresso e com o STF. Mas, também, com a Federação. Lula e os governadores miram a formação do Conselho da Federação. Boa notícia.
A Federação é um pilar do nosso sistema político, conferindo plasticidade ao processo de mediação política e agregação de interesses. O “Conselhão”, mirando a sociedade civil, complementa o arcabouço político-institucional.
A ancoragem das expectativas políticas e econômicas, vale repisar, é essencial para trilhar o caminho da prosperidade. É a prosperidade que vai sustentar a democracia. Sem ela, haverá o retorno da raiva e da perda de respeito pelas instituições, que vivemos nos últimos quatro anos. A maioria dos brasileiros não quer mais isso.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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