É salutar e oportuno que o debate sobre os rumos da economia capixaba esteja de volta ao topo da agenda. O novo governo Casagrande tem-se mostrado mais proativo na agenda econômica e consciente da necessidade de mais ousadia nas pautas econômicas.
Agora, mais ainda. Os sinais de desaceleração global, com inflação resiliente, já estão acesos. A FGV/Ibre projeta para o Brasil um crescimento marginal de 0,23% em 2023. É claro que haverá impacto na economia capixaba.
Ressaltei aqui outro dia que Orlando Caliman reabriu o debate da “armadilha da baixa complexidade econômica” do Espírito Santo, acompanhada da desautonomia relativa da política econômica, já que grandes decisões ocorrem fora do nosso território – seja no plano nacional, seja no plano internacional.
Veja Também
A baixa complexidade e a desautonomia econômica estadual têm resultado em baixa competitividade e em queda da taxa de investimentos. São fatos. No período entre 2010 e 2020, Caliman constatou que “o PIB per capita do Espírito Santo teria sofrido uma queda de aproximadamente 21% em termos reais”.
Por isso, agora é preciso ousar mais. Superar gargalos ainda existentes na infraestrutura (como os da Serra do Tigre e da BR 262). Induzir mais geração de investimentos que possam agregar valor e adicionar competitividade, inclusive das grandes empresas como a Vale, a Arcelor, a Suzano e a Petrobras. A Vale, por exemplo, com o projeto da fábrica de HBI, de maior valor agregado. Essas grandes empresas são agências de desenvolvimento.
Pablo Lira também entrou no debate econômico. Registra a diversificação, em curso, da base produtiva, com a operação de novas indústrias com maior valor agregado, como a Weg, a Itatiaia e a Marcopolo. Enumera também que a Britânia e a Olam “continuam sendo atraídas para o ES”. Até 2026, estão anunciados R$ 50 bilhões em investimentos, “sendo que 93,7% desse montante se caracterizam como empreendimentos industriais”, diz Pablo.
São perpectivas, sim. Mas, hoje, o fato é que a indústria perdeu relevância aqui no Espírito Santo e no Brasil. Não é a toa que o novo governo Lula colocou a reindustrialização no topo da agenda. Esta reindustrialização, sabemos, será tão ou mais efetiva quanto mais estiver conectada às pautas ESG. O Brasil ”voltou ao mundo”, diz o novo mantra, e o mundo quer fazer investimentos ESG no Brasil. A Alemanha e os Estados Unidos já estão “na fila”, por assim dizer.
O nó górdio, recorrente, é a nossa “armadilha da baixa complexidade” e a nossa desautonomia relativa. Desatar o nó requer ousadia. Não apenas do governo estadual. Mas, também, das elites econômicas estaduais. Que tal articular uma força tarefa em formato de agenda e missão econômica, nos moldes de Mariana Mazzucato (no livro “Mission Economy”) ?
Ao mesmo tempo, que tal olhar outra vez para a importância que o turismo tem, e pode ter mais, na economia capixaba? É importante, mas não tem sido colocado no topo da agenda. E é uma indústria ESG, sem fumaça.
Mas não temos visto nem os governos estadual e locais, nem as elites econômicas, tratarem dessa agenda com a importância que pode ter. É outro fato.
Vamos mudar os rumos da economia capixaba?