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Vilmara Fernandes

Mãe vai à Justiça após sofrer amputação por complicações em parto no ES

Família aponta negligência médica e pede indenização; hospitais negam falha no atendimento e argumentam tratar-se de fatalidade decorrente da gravidade do caso

Publicado em 19 de Maio de 2026 às 03:30

Públicado em 

19 mai 2026 às 03:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

juízes, juiz
Arte - Camilly Napoleão com Adobe Firefly

O que seria um momento de comemoração, com a chegada do primeiro filho de um jovem casal, transformou-se em uma batalha pela vida e por justiça. Complicações após o parto culminaram na amputação do antebraço esquerdo da mãe.


As sequelas deixaram a jovem totalmente incapacitada, considerando que era canhota e já tinha uma deficiência no braço direito. Em decorrência do longo período internada, não pode amamentar e, atualmente, encontra dificuldades para dar banho ou cuidar do bebê sem auxílio. Passou a depender de ajuda até para a higiene pessoal.


Com a situação, o casal de 27 e 26 anos precisou voltar para a residência da avó materna. Ainda abalados com a situação, ocorrida em novembro do ano passado, os dois decidiram buscar a Justiça pleiteando indenização, considerando que toda a família foi afetada.


Na ação a defesa aponta que houve falhas no atendimento, na identificação dos problemas, no uso de medicamentos aos quais ela tinha alergia, situações que complicaram o quadro de saúde da jovem. E solicita indenização, assinalando que foi tirado do casal o direito de vivenciar a maternidade e a paternidade de forma saudável e digna.


De acordo com o advogado que os representa, Bruno Milhorato Barbosa, a ação foi contestada pelos representantes dos hospitais e da associação que os administra. Serão realizadas perícias para verificar o grau de incapacidade e os danos psicológicos. 


“Houve uma cadeia de negligências e a busca pelo direito dos meus clientes não se limita a uma reparação para eles, mas visa evitar que se repita com outras pessoas, que sirva de exemplo”, acrescenta.


Segundo ele, ainda sob trauma emocional e psicológico fruto do que aconteceu, a jovem mãe tem vergonha até de sair na rua. E pediu que apenas as iniciais deles fossem divulgadas: S.F, de 27 anos, e A.Paranhos, de 26.


Os responsáveis pela gestao dos hospitais públicos negam falhas no atendimento, veja abaixo.


A saga


O casal está junto desde 2016 e aguardava com ansiedade a vinda do bebê, que nasceu no início de novembro do ano passado,  na Maternidade Municipal de Cariacica (MMC).


No texto enviado à Justiça é dito que no pós-operatório a mãe apresentou dores intensas, distensão abdominal e falta de ar, sendo tratada com medicamentos, enquanto permaneceu internada.


Contudo, 24 horas após receber a alta, ela retornou para à unidade em estado crítico, já com quadro de choque séptico (infecção geral). Devido à gravidade, foi transferida para o Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, na Serra.


Na nova unidade,  passou por cirurgia para reparar uma perfuração intestinal e, com a gravidade do quadro, foram necessárias novas cirurgias abdominais. A jovem teve três paradas cardíacas e permaneceu dias em coma induzido. 


As complicações vasculares geraram a necrose da mão e a amputação do seu antebraço esquerdo no dia 29 de novembro. "Uma sequência de problemas no atendimento que resultou na incapacitação da mãe. E após um trauma desta magnitude, eles ainda não tiveram um acompanhamento adequado", pontua o advogado.


O que dizem os hospitais


Por nota, a Prefeitura de Cariacica informa que o Hospital e Maternidade de Cariacica é gerido pela Associação Evangélica Beneficente Espírito-Santense (Aebes), por meio de convênio com o Governo do Estado. “A participação do município se restringe exclusivamente à cessão do imóvel para funcionamento da unidade hospitalar”.


No processo, a Procuradoria Geral do Estado (PGE), informa que a gestão do Hospital Jayme dos Santos Neves foi delegada à Aebes, responsável pelos atos técnicos da equipe médica.


A PGE assinala que os fatos ocorridos não são frutos de conduta ilícita, mas de uma evolução clínica grave. O Estado argumenta que, ao prestar o serviço de saúde, “não pode garantir a cura, o sucesso absoluto do tratamento ou a ausência de complicações, que são inerentes à própria condição humana e à complexidade dos procedimentos médicos”.


Também no processo, a  Associação Evangélica Beneficente Espírito-Santense (Aebes) confirma ser a gestora dos dois hospitais e informa que todos os protocolos médicos foram seguidos, rechaçando a tese de negligência defendida pela família.


A Associação afirma que o ocorrido  foi uma fatalidade inerente aos riscos de procedimentos médicos complexos em pacientes em estado crítico, e que não houve falha na prestação do serviço.


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Vilmara Fernandes

E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.

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