O xadrez político já está em movimento em Vitória, de olho nas eleições municipais de 2024. Depois de certa resistência e reticência, para não queimar a largada, o prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos), de acordo com fontes do mercado político, já admite disputar a reeleição.
Percebeu que não pode errar no “timing”. As eleições municipais já estão nas rodas de conchavos do mercado político. O fato, já anotado aqui, de que a sucessão estadual foi antecipada no mercado político, acaba acelerando a antecipação da municipal. Um movimento puxa o outro.
Tudo indica que, desta vez, as disputas municipais não ficarão restritas apenas à agenda local. Terão a influência (atípica) da polarização nacional e da marcha da sucessão estadual. Assim, as eleições municipais deverão ser plataformas para a sucessão estadual. E para as eleições nacionais, depois. Sui generis.
Voltemos a Vitória. Panorama visto da ponte. Pazolini não lidera ainda a cidade. Parece estar, neste momento, em movimento de inflexão nesta direção. Antes dele, o ex-prefeito Luciano Rezende fez uma gestão regular e correta, mas não liderou a cidade.
Portanto, o espaço da liderança ainda tem um vácuo a ser ocupado. Ainda há tempo. É uma construção em aberto. Essa fragilidade política, Pazolini precisa superar, se quiser ser competitivo em 2024.
Politicamente, Vitória tem uma tradição de terra de ninguém. Perfil que se mantém desde as eleições de 1985. O eleitor é dono do seu nariz. Não segue caciques. A mediana do eleitorado é de classes médias (A,B,C), com alta renda per capita para os padrões brasileiros. Eleitor exigente.
A cidade vivenciou 32 anos de hegemonia de centro-esquerda, até Pazolini. Aí, houve uma ligeira inflexão política, para o centro/centro-direita. Agora, as pesquisas continuam apontando para o caminho do centro. As lideranças já estão em movimento. A conferir se o pêndulo terá nuances para a centro-direita ou para a centro-esquerda. Intenções de alianças políticas já fazem parte do xadrez político.
Dada, em 2020, sua pouca experiência no Executivo, Pazolini começou a sua gestão, em 2021, de forma insegura e reticente. Seu perfil natural de auditor e delegado travou a máquina burocrática e o governo.
Essa fase foi superada e ele, digamos, botou o bloco na rua. As entregas já são visíveis, embora a sua comunicação pessoal e institucional ainda deixe muito a desejar.
Sua gestão deslanchou, com projetos, obras e serviços que podem mudar a cara da Ilha de Vitória: deixar de permanecer uma Ilha de costas para o mar, com projetos relevantes na orla noroeste, na Av. Beira Mar, na Curva da Jurema e, quiçá, no Canal de Camburi. E fazendo mais no campo da inclusão social. Há tempo ainda.
O seu partido, o Republicanos, adquiriu maioridade política e tornou-se uma força política em crescimento, no Brasil e no Espírito Santo. Parece ser um caminho sem volta.
Em Vitória, o Republicanos anda fazendo tricô político com outros partidos, principalmente os do centro do espectro político. Afinal, 2024 está perto.