Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Eleições 2022

Sinais de incerteza no ambiente político capixaba

O horizonte é de turbulência. Será preciso articular novas alianças políticas. E exercer hábil diplomacia federativa, do governador e da bancada federal, em busca de novo pacto federativo

Publicado em 15 de Outubro de 2022 às 00:30

Públicado em 

15 out 2022 às 00:30
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros Antônio Carlos Medeiros
Já estamos na metade do segundo turno da eleição para governador do Espírito Santo. Existem interrogações e incertezas no ar. Aqui e ali, percebi que o mercado político e o mercado empresarial capixabas andam questionando se o legado dos 20 anos de Paulo Hartung e Renato Casagrande será mantido e aprimorado.
Mau sinal. A polarização escalou e a formação de consenso para governar ficou mais difícil e complexa. A pressão para entregas de serviços públicos aumentou a partir das manifestações de 2013. Levou Hartung e Casagrande a buscarem a consolidação de um núcleo duro de políticas públicas de Estado, mais do que de governo, tanto na gestão da economia, quanto na área social. Garantir longevidade e estabilidade. Este longo processo está em curso.
No Espírito Santo, a gestão da economia se tornou uma agenda de Estado, combinando incentivos e instrumentos regionais e federais. Resultou em mudança no perfil econômico estadual. Essa agenda avançou na direção da diversificação e da inovação. Para superar a condição de plataforma de exportação de commodities. Nessa trilha, o governo estadual busca um modelo tripartite de atração de investimentos: capital regional, capital nacional, e capital internacional. A agenda está em curso e precisa incorporar investimentos ESG.
Na educação, o estado avançou com uma política pública de Estado. Essa política precisa ganhar sustentabilidade. Ela se baseia na concepção da gestão em rede da educação. Na prática, é um pacto pela educação em mutação constante. Com ênfase no desenvolvimento das capacidades cognitivas e nas competências socioemocionais. Agora, é hora de aprimorar o foco no professor, na tecnologia e na gestão. Com a urgência da superação do déficit de aprendizagem acumulado na pandemia. E com a necessidade de avançar ainda mais na qualificação técnica e profissional.
Na segurança, o ES também avançou para consolidar uma política de Estado. Os focos dos projetos, tanto de Hartung quando de Casagrande, têm as mesmas premissas. Agora, é hora de aprimorar os cuidados com o problema dos crimes contra o patrimônio e de aprofundar o combate ao narcotráfico. E de continuar diminuindo a taxa de homicídios. Há que se avançar na atuação em rede na área, agindo com o Ministério Público, o Judiciário e a Defensoria Pública – além de repactuar a articulação federativa. Segurança não é só um problema da polícia. Está cada vez mais claro que há que se envolver outras instituições e a sociedade civil. Construir uma cultura de lei & ordem.
Na saúde, ainda falta longevidade na política. A gestão da pandemia foi bem avaliada. Agora, está se buscando resolver a questão das eletivas, decorrência do foco na pandemia. O perfil da procura por saúde no ES mudou. As doenças crônicas já representam a maior demanda. Isso levou o foco da atenção à saúde para o nível primário: meta é atender 80% na rede primária; 15% na ambulatorial; e 5% na hospitalar. Há problemas de financiamento. Há necessidade de repactuação federativa. E de avançar na adoção da telemedicina e ampliar a cultura da prevenção.
A consolidação de um formato de governança voltada para a preservação e aprimoramento de um núcleo duro de políticas públicas ainda é uma obra em curso. Requer a presença da figura simbólica do governador e o avanço nos diálogos multilaterais, para fortalecer uma cultura de gestão em parcerias e de pactuação democrática das políticas.
O novo governo vai ter que lidar com uma conjuntura muito complexa em 2023. A polarização política, nacional e estadual, é regressiva. Deve permanecer baixo e incerto o crescimento econômico. Há um ambiente social de anomia, medo e raiva. E são muitos os desafios nas políticas públicas de segurança, saúde, educação e infraestrutura.
Tudo requer ampla legitimidade para ter capital político e capital social, para atravessar o Rubicão. O horizonte é de turbulência. Será preciso articular novas alianças políticas. E exercer hábil diplomacia federativa, do governador e da bancada federal, em busca de novo pacto federativo.
Vamos conseguir atravessar o Rubicão em 2023? Essa é a incerteza que está no ar.

Antônio Carlos Medeiros

Antônio Carlos Medeiros Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Quase mil pessoas são presas após confrontos em mais um dia de protestos em massa na França
Imagem de destaque
Pesquisa mostra vantagem de Pazolini, mesmo com esforço de Ricardo, diz diretor da Quaest
A Gazeta terá cobertura em tempo real para o segundo turno das Eleições 2026
2º turno das Eleições 2026: acompanhe a votação no ES em tempo real

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados

Fale com a gente

Escolha o canal de sua preferência para assinar A Gazeta ou tirar dúvidas.