Certa vez, o alto comando de uma famosa indústria italiana de automóveis estava há meses quebrando a cabeça para reduzir os gastos com energia elétrica de sua unidade em Minas Gerais. Os engenheiros faziam estudos, projeções, cálculos e contas e propunham medidas de contenção, mas os números continuavam altos.
Um dia, durante uma reunião de trabalho, um operário do chão de fábrica perguntou aos superiores:
- E se a gente limpasse os vidros? Tem 20 anos que trabalho aqui e nunca vi os vidros da linha de montagem limpos. Como estão sujos, fica escuro durante o dia e as luzes acabam passando muito tempo acesas.
Dito e feito. Os vidros foram limpos, o ambiente ficou mais claro. As luzes permaneceram apagadas por mais tempo e o alto comando da famosa indústria italiana de automóveis, que há meses quebrava a cabeça para reduzir os gastos com energia elétrica, finalmente viu os índices caírem.
Gosto de pensar nesta pequena história corporativa como uma prova de que a diferença nos modos de ver as coisas traz inovação, inovação dá retorno, retorno estimula novos modos de ver as coisas. Em outras palavras, colaboradores de origens, caminhadas e olhares variados tendem a ver novas soluções para antigos problemas, pensar em outros fluxos para processos que não funcionam, identificar escapes para círculos aparentemente sem saída.
Até mesmo em operações de muita matemática e pouca criatividade, de mais objetividade do que poesia, olhar por outro ângulo pode ser uma grata surpresa.
Em ambientes plurais e inclusivos, como numa conversa com quem pensa diferente de nós, nossas perspectivas se ampliam e se transformam. O diálogo se impõe, a riqueza de visões se traduz em movimento.
Na vida, como numa linha de montagem, a diversidade e a distância (de tempo, de espaço, de visões) mudam as coisas ou mudam o olhar que colocamos sobre elas.