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Reflexão

O chão de fábrica e a importância da diversidade (uma história real)

Na vida, como numa linha de montagem, olhar por outro ângulo pode ser uma grata surpresa

Publicado em 20 de Dezembro de 2020 às 05:00

Públicado em 

20 dez 2020 às 05:00
Ana Laura Nahas

Colunista

Ana Laura Nahas

Ideia
Olhares variados tendem a ver novas soluções para antigos problemas Crédito: dashu83/Freepik
Certa vez, o alto comando de uma famosa indústria italiana de automóveis estava há meses quebrando a cabeça para reduzir os gastos com energia elétrica de sua unidade em Minas Gerais. Os engenheiros faziam estudos, projeções, cálculos e contas e propunham medidas de contenção, mas os números continuavam altos.
Um dia, durante uma reunião de trabalho, um operário do chão de fábrica perguntou aos superiores:
- E se a gente limpasse os vidros? Tem 20 anos que trabalho aqui e nunca vi os vidros da linha de montagem limpos. Como estão sujos, fica escuro durante o dia e as luzes acabam passando muito tempo acesas.
Dito e feito. Os vidros foram limpos, o ambiente ficou mais claro. As luzes permaneceram apagadas por mais tempo e o alto comando da famosa indústria italiana de automóveis, que há meses quebrava a cabeça para reduzir os gastos com energia elétrica, finalmente viu os índices caírem.
Gosto de pensar nesta pequena história corporativa como uma prova de que a diferença nos modos de ver as coisas traz inovação, inovação dá retorno, retorno estimula novos modos de ver as coisas. Em outras palavras, colaboradores de origens, caminhadas e olhares variados tendem a ver novas soluções para antigos problemas, pensar em outros fluxos para processos que não funcionam, identificar escapes para círculos aparentemente sem saída.
Até mesmo em operações de muita matemática e pouca criatividade, de mais objetividade do que poesia, olhar por outro ângulo pode ser uma grata surpresa.
Em ambientes plurais e inclusivos, como numa conversa com quem pensa diferente de nós, nossas perspectivas se ampliam e se transformam. O diálogo se impõe, a riqueza de visões se traduz em movimento.
Na vida, como numa linha de montagem, a diversidade e a distância (de tempo, de espaço, de visões) mudam as coisas ou mudam o olhar que colocamos sobre elas.

Ana Laura Nahas

É jornalista e escritora, com passagens pelos jornais A Gazeta e Folha de São Paulo e pelas revistas Bravo! e Vida Simples. Autora dos livros Todo Sentimento e Quase um Segundo, escreve aos domingos sobre assuntos ligados à diversidade, comunicação e cultura

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