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Sobre tentativas

Leia este texto antes de achar que fracassou

Pequenas coisas podem ser grandes conquistas; quase chegar não deixa de ser uma caminhada

Públicado em 

22 nov 2020 às 04:00
Ana Laura Nahas

Colunista

Ana Laura Nahas

Caminhada
Certos passos são imensos, mesmo que pareçam minúsculos para quem assiste  Crédito: fotodinero/Freepik
Há duas décadas, depois de uma enorme expectativa profissional desfeita, a fotógrafa australiana Tracey Moffatt decidiu registrar a Olimpíada de Sidney por uma perspectiva ligeiramente inusitada. Os retratos recolhidos por ela eram de atletas de alto rendimento em diferentes modalidades, que guardavam em comum a experiência de ter chegado em quarto lugar.
Aquele que não é bronze nem prata nem ouro. O silencioso quarto lugar.
As 26 imagens da série Quarto registram o momento em que os esportistas descobrem que não deu. Uma expressão entre inexpressiva, exausta e incrédula toma conta dos sujeitos que quase conseguiram; uma máscara - palavras de Tracey Moffatt - que cobre cada um daqueles rostos dizendo:
- Merda.
As fotos, ela afirma, não são um grande documento dos jogos daquele verão, mas contam algo importante sobre tentativas e conquistas, sobre o quão grandioso pode ser participar dos Jogos Olímpicos, praticar um esporte, caminhar pela rua ou acordar e enfrentar mais um dia de um ano difícil.
Em outras palavras, o que Tracey Moffatt e sua perspectiva ligeiramente inusitada nos revelam é que até pequenas coisas podem ser grandes conquistas. Que quase chegar não deixa de ser uma caminhada. Que certos passos são imensos para quem dá, mesmo que pareçam minúsculos para quem assiste. Que chegar em quarto numa Olimpíada não deixa de ser um feito e tanto.
Corta para 2020.
A série Quarto correu o mundo e parou no Capítulo 4 do livro "A Arte Queer do Fracasso", de Jack Halberstam. Professor titular da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, Halberstam defende que o que empurrou a humanidade para o precipício foi a lógica do sucesso.
Afinal, a pressão exercida pela ideia de que precisamos ganhar o tempo todo - ou pelo menos parecer que assim o fazemos - estimula a vitória de poucos às custas da derrota da maioria.
Para Halberstam, o melhor a fazer é falhar nesta construção, no sentido de negá-la e, quem sabe, substituí-la por outra, mais leve e adequada aos parâmetros de sucesso de cada um de nós.
Caso contrário, basta um pequeno arrastar de dedos pela vida alheia como ela se parece para desmoronar diante da conclusão de que fracassamos enormemente.

Ana Laura Nahas

É jornalista e escritora, com passagens pelos jornais A Gazeta e Folha de São Paulo e pelas revistas Bravo! e Vida Simples. Autora dos livros Todo Sentimento e Quase um Segundo, escreve aos domingos sobre assuntos ligados à diversidade, comunicação e cultura

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