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Esperança

No pós-pandemia, a fé na festa há de mostrar sua potência

Ou damos um passo atrás de volta ao distanciamento social ou ficaremos agarrados numa extenuante quarentena por muito tempo. A pandemia há de passar

Públicado em 

06 dez 2020 às 05:00
Ana Laura Nahas

Colunista

Ana Laura Nahas

Esperança
É preciso resistir e reconstruir a esperança em dias melhores Crédito: photoangel/Freepik
pandemia tem nos privado dos abraços, de encontros, de conversas ao pé do ouvido, da alegria de ver os espaços coletivos ocupados de modo despretensioso e despreocupado. Por causa dela, mudamos a forma de nos cumprimentar, de trabalhar, de fazer compras, de festejar as conquistas, de chorar as perdas, de ir, sair, ficar.
Mas que ninguém se engane: apesar do cansaço do confinamento, ou damos um passo atrás de volta ao distanciamento social ou ficaremos agarrados numa extenuante quarentena por muito tempo.
O medo do retrocesso, eu sei, nos rodeia. A onda conservadora que se abateu sobre nós indica que não vai ser tarefa fácil reocupar com artes e afetos as avenidas, as esquinas e os becos. Tampouco promete ser moleza retomar o uso político dos territórios, como o geógrafo Milton Santos ensinou que deveria ser.
O desencanto tomou conta do corpo encantado das ruas, para usar a expressão do historiador Luiz Antônio Simas em sua sábia defesa do espaço público como lugar de vivências por vocação.
O carnaval, as rodas de samba, a torcida no estádio para ver o futebol, os pequenos comércios engolidos pela crise, a cultura que pulsa em eventos ao ar livre, a revitalização das áreas históricas, a boemia sem risco dos tempos pré-Covid-19... As ausências mostram o quanto a magia do movimento tem perdido a batalha para a lógica das grandes vias como mero local de passagem.
A pandemia contribuiu decisivamente para a visão da rua como um lugar hostil. Mas a verdade é que o esvaziamento do espaço público começou bem antes do coronavírus. Um enorme ecossistema cultural se esvazia junto: produtores, artistas e suas equipes, pequenos comerciantes, a plateia, manifestações tradicionais, uma cena inteira.
É preciso resistir, reconstruir a esperança em dias melhores, reinventar as práticas ao ar livre, traçar novas estratégias de ocupação afetuosa do espaço público. Por isso e por contraditório que pareça, o melhor a fazer, neste momento, é recuar. A pandemia há de passar e, depois dela, uma vez mais, a fé na festa há de mostrar sua potência.

Ana Laura Nahas

É jornalista e escritora, com passagens pelos jornais A Gazeta e Folha de São Paulo e pelas revistas Bravo! e Vida Simples. Autora dos livros Todo Sentimento e Quase um Segundo, escreve aos domingos sobre assuntos ligados à diversidade, comunicação e cultura

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