A pandemia causada pelo novo coronavírus traz riscos, bem conhecidos hoje por todos, mais direcionados às pessoas mais idosas, proporcionalmente ao aumento dos anos. Assim, pessoas acima de 80 são de risco maior do que as acima de 70 e assim sucessivamente. Aos idosos é exigido um distanciamento mais rígido, o que poderia trazer mais duras consequências à sua saúde mental.
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos publicou em agosto uma pesquisa que revelou curiosos achados. Em quase 1000 participantes acima de 65 anos de idade, foram detectados os mais baixos índices de ansiedade (6,2%), depressão (5,8%) e desordem relacionada a trauma ou estresse (9,2%). Achados semelhantes foram relatados em pesquisas desenvolvidas na Espanha, Canadá e Holanda.
Embora todos avaliem que são relatos que podem ter se deteriorado à medida que avançou o ano, com manutenção do estresse e distanciamento, não há dúvidas hoje de que os idosos têm demonstrado maior resiliência frente aos desafios do isolamento imposto pela pandemia. As pesquisas mostraram ainda que mais importante que a frequência dos contatos com familiares e amigos, era a qualidade e intensidade dos encontros possíveis acontecidos, virtuais ou presenciais, com as precauções necessárias, o que realmente tinha peso para os idosos.
Curiosamente, a resiliência cai junto com a idade. Assim, em quase 2000 pessoas investigadas na faixa de 25 a 44 anos, 35% relatavam ansiedade, 32% depressão e 36% desordem relacionada a trauma ou estresse. Em mais de 700 participantes investigados na faixa etária de 18 a 24 anos, 49% relatavam ansiedade, 53 % desordem depressiva e 46% desordem relacionada ao trauma ou estresse.
Os jovens são mais gregários e têm demonstrado baixíssima capacidade de suportar medidas de isolamento. Isto provavelmente ajuda a explicar o verdadeiro “estouro da boiada” que estamos observando em Vitória e em várias cidades do Brasil e do mundo, com aglomerações em encontros em bares, festas, praias, todo tipo de evento, onde a “paixão” represada é liberada sem cerimônia, criando um cenário perfeito à disseminação do vírus.
As mentes mais confusas que defendiam com vigor o “isolamento vertical” no início da pandemia têm agora a oportunidade única de vê-lo em vida real: os jovens, se contaminando às pencas, têm índices bem menores de mortalidade, mas não são invencíveis. Com alguma frequência, alguns adoecem gravemente e uns poucos morrem.
Como os idosos e as pessoas de risco não vivem em uma bolha em nenhum lugar do mundo, são contaminados, e lenta e paulatinamente internações e mortes voltam a ocorrer com estresse dos hospitais e serviços de saúde. A economia também segue aos trancos e barrancos, porque a insegurança inibe o consumo. São os países asiáticos que foram os mais eficazes em controlar a pandemia os que terão o melhor desempenho econômico em 2020.