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Pandemia

Qual a real mortalidade da Covid-19? Por que varia de um local a outro?

Essas são algumas das questões que ainda persistem sobre a ação do novo coronavírus. São muitas dúvidas e algumas certezas desde o início da crise sanitária

Publicado em 24 de Setembro de 2020 às 06:00

Públicado em 

24 set 2020 às 06:00
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto Lauro Ferreira Pinto
Uso de máscara de proteção contra o coronavírus
Uso de máscara de proteção contra o coronavírus Crédito: Carlos Alberto Silva
Uma tia querida reclamou comigo que o ano está acabando e não saiu de casa. Lamuriou-se: Quem vai me devolver o ano que perdi? Passados quase dez meses de pandemia, restam muitas dúvidas. Uma que nos intriga é a enorme diversidade das formas de apresentação. Qual a real mortalidade da Covid-19? Por que é tão variável de um local a outro? A média mundial está em torno de 3%. No Brasil, a taxa é a mesma, embora com grande variabilidade nos Estados, sendo alta no RJ e em alguns Estados do Nordeste, e de 2,7 no ES.
Taxas elevadas revelam sobrecarga dos serviços de saúde, como ocorreu na Lombardia, onde faltaram leitos e recursos. Daí que o enorme esforço de distanciamento social não era coisa de fraco, mas imprescindível para dar tempo à brutal expansão de leitos feita, por exemplo, no ES, o que poupou vidas capixabas. Ainda assim, essa taxa de 2,7% reflete os casos fatais identificados por testagem, e sabidamente testamos mais os casos graves, porque não tínhamos testes suficientes para identificar aqueles com poucos sintomas.
Em regiões da Ásia com mais ampla testagem, a mortalidade por casos diagnosticados foi de 1,6%. Mas... e os assintomáticos? Epidemiologistas respeitados estimam que, se levarmos em conta os assintomáticos ou aqueles que passam desapercebidos, a mortalidade da Covid-19 deve ser entre 0,3 e 0,6% (3 a 6 mortes por mil infectados). Ainda é muito, mas menos assustador.
Os homens adoecem mais e ficam piores que as mulheres, em média. O risco é maior acima de 65 anos, para os muito obesos, diabéticos tipo 2, doentes pulmonares crônicos e cardiopatas graves. Sabemos que a mortalidade é maior em negros e pardos, não por causa da cor, mas pela desigualdade no acesso aos serviços de saúde e no controle das doenças de base.
Conhecemos tudo isso pelas publicações científicas, mas ainda é enorme a variabilidade individual. Muitos jovens ou pessoas com pouco risco podem adoecer e morrer. Alguns cientistas associam o uso constante e correto de máscaras como um fator adicional de proteção: em caso de não evitar a contaminação, esta se daria com recebimento de carga viral baixa o suficiente para, sem permitir adoecimento importante, induzir certo grau de proteção (como no passado com a varíola) enquanto a vacina clássica, de efeito protetor robusto, não está disponível. Ainda precisamos usar máscaras com disciplina, principalmente em ambientes fechados!

Lauro Ferreira Pinto

Lauro Ferreira Pinto Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doenças Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaço, reflete sobre saúde e qualidade de vida

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