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Política

O que eu espero de um governante

De uma autoridade espero que, entre outras coisas, esteja conectada com as demandas e possibilidades da área que administra

Públicado em 

29 nov 2020 às 05:00
Ana Laura Nahas

Colunista

Ana Laura Nahas

Mulher negra em protesto
Espero dos governantes e das autoridades a compreensão sobre a importância de datas como o Dia da Consciência Negra Crédito: rawpixel.com/Freepik
O que eu espero de um governante? Que seja ético, comprometido com sua comunidade de atuação, firme e gentil no trato das questões coletivas. Que esteja conectado com as demandas e possibilidades da área que administra. Que tenha a capacidade de dialogar com os diferentes grupos sob sua gestão. Que contribua para propagar a lei e a Justiça.
Que, ao contrário, não estimule desigualdades, preconceitos e desrespeitos. Que não espalhe alarmes falsos nem notícias de mentira. Que olhe, com especial atenção, aos que mais dependem da estrutura pública para sobreviver.
De uma autoridade espero coisa parecida. Que seja íntegra, interessada nas urgências e perspectivas ao redor, madura no trato coletivo. Que tome decisões equilibradas, baseadas em critérios objetivos. Que saiba ouvir, decidir com clareza e dialogar de forma transparente com os grupos que representa.
Que, tanto quanto possível, não se deixe seduzir pela vaidade, pelo poder e pelo oportunismo. Que seja principalmente técnica, embora também seja política. Que assuma seus atos, mesmo os polêmicos, mas que pense, profundamente, antes de cometê-los. Que defenda, com especial energia, os que mais precisam da estrutura pública para seguir adiante.
Espero dos governantes e das autoridades que proponham ações para interromper o ciclo da violência contra os pretos. Que tenham projetos para coibir o ódio contra os LGBTQIA+. Que liderem políticas públicas de acolhimento às vítimas. Que promovam iniciativas para a sua volta por cima.
Espero dos governantes e das autoridades a compreensão sobre a importância de datas como o Dia da Consciência Negra e o Dia da Eliminação da Violência contra a Mulher. Que saibam o tamanho de crimes como o racismo e o feminicídio e entendam o peso de suas declarações sobre eles. Que trabalhem todos os dias para que mulheres, pretos e gays possam andar em segurança na rua e construir suas vidas a partir das habilidades, crenças e orientações que bem entenderem.
Não espero de governantes e autoridades que dominem as propriedades do creme de leite fresco. A propósito, eu não sei fazer bolo. Meu marido sabe.

Ana Laura Nahas

É jornalista e escritora, com passagens pelos jornais A Gazeta e Folha de São Paulo e pelas revistas Bravo! e Vida Simples. Autora dos livros Todo Sentimento e Quase um Segundo, escreve aos domingos sobre assuntos ligados à diversidade, comunicação e cultura

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