Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Mês de conscientização

Setembro amarelo e a verdadeira prevenção ao suicídio

A verdadeira prevenção ao suicídio vem de condições coletivas e sociais fortes, muito antes de qualquer conscientização individual e voltada para a doença

Publicado em 06 de Setembro de 2021 às 02:00

Públicado em 

06 set 2021 às 02:00
Adrieli Borsoe

Colunista

Adrieli Borsoe Adrieli Borsoe
Depressão
Depressão Crédito: Pixabay
O mês de setembro mal começou e já é possível ver nas redes sociais uma enxurrada de “não desista, geralmente a última chave no chaveiro abre a porta”, caixinha de perguntas para os seguidores escreverem os desabafos pois “não estão sozinhos”, dancinhas apontando para frases motivacionais antissuicídio, monumentos e prédios iluminados em amarelo.
O mês é setembro, a cor é amarela, o objetivo é prevenção, o desfecho é o suicídio. A crítica não é pela iniciativa de conscientização, mas sim pelas motivações temporárias, a falsa empatia, o despreparo para o cuidado de algo tão delicado. A abordagem exige extremo profissionalismo na crise, a detecção de um possível problema exige uma enorme escuta. É um trabalho que contempla uma vida e não um mês. Uma cor não consegue prevenir a abreviação da vida de quem sofre. O julgamento não é bem-vindo.
A verdadeira prevenção ao suicídio vem de condições coletivas e sociais fortes, muito antes de qualquer conscientização individual e voltada para a doença. O olhar deve ser voltado para a saúde mental e esta é garantida por medidas que melhorem as condições de emprego e renda, acesso à moradia e saneamento básico, segurança alimentar (aqui comunico que falo de feijão e não fuzil, para que não hajam dúvidas), relações afetivas saudáveis e acesso ao sistema de saúde, em especial aos centros de atenção psicossocial (CAPS), de forma gratuita, humana e eficiente.
Qualquer coisa que não permeie as mínimas condições à vida, qualquer coisa que se resuma em evitar o atentado desesperado à morte, qualquer coisa que só contemple a doença, que não vibre pelo indivíduo e sua comunidade, infelizmente não atingirá o objetivo de prevenir o suicídio. É impossível garantir saúde mental vivendo num sistema adoecedor, é pretensioso oferecer ajuda sem ter preparo para tal, é muito pouco vestir amarelo para uma causa tão prevalente e tão importante.
Aos que sofrem, o compadecimento não é preenchido em um só mês, assim como as dificuldades e intempéries. Aos que sofrem, que encontrem seu valor dentro e que o grito seja tão forte, que seja ouvido pelos que fingem ouvi-los, que tremam as estruturas do sistema fragilizado, que nunca se abafe, seja por quem oprime ou por si mesmo.

Adrieli Borsoe

Adrieli Borsoe Adrieli Borsoe

É Fisioterapeuta, acupunturista e especialista em avaliação e tratamento de dor crônica pela USP. Entende a saúde como um estado de equilíbrio para lidar com as adversidades da vida de forma mais harmônica

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Manifestantes se concentraram na Avenida Presidente Castelo Branco
Manifestantes fazem protesto na Serra após desaparecimento de motoboy
Imagem de destaque
'Esqueci segredos de Estado em um trem: sou a prova de que é possível se recuperar do maior erro da sua vida'
Sede do Idaf
Idaf, Cachoeiro e Banestes: 44 mil vagas em concursos e seleções

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados

Fale com a gente

Escolha o canal de sua preferência para assinar A Gazeta ou tirar dúvidas.