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Mês de conscientização

O que se previne no Setembro Amarelo?

Quando se fala em prevenção, é importante classificar os tipos existentes, a fim de entender e alinhar as expectativas do que se espera numa tentativa de prevenir algo com desfecho irreversível como o suicídio

Publicado em 13 de Setembro de 2021 às 02:00

Públicado em 

13 set 2021 às 02:00
Adrieli Borsoe

Colunista

Adrieli Borsoe

Depressão
A prevenção primordial é aquela em que se busca evitar a exposição aos fatores de risco para o problema Crédito: Pixabay
O mês de setembro traz consigo a cor amarela e uma iniciativa de prevenir o suicídio, centralizando no dia 10 as mobilizações para tal e sendo considerado o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.
No caso do suicídio os fatores de risco principais são transtornos mentais e tentativa prévia de suicídio. Quase todos os casos (96,8%) tinham algum transtorno associado, como depressão, transtorno bipolar ou abuso de substâncias, lícitas ou ilícitas. Somado a isso, conta que quem já tentou o suicídio, tem cinco a seis vezes mais chances de tentar de novo. Há ainda os casos de doenças crônicas e câncer em estágio terminal como fator de risco em menor escala ao suicídio.
Quando se fala em prevenção, é importante classificar os tipos existentes, a fim de entender e alinhar as expectativas do que se espera numa tentativa de prevenir algo com desfecho irreversível como o suicídio.
A prevenção primordial é aquela em que se busca evitar a exposição aos fatores de risco para o problema. A forma mais possível de imaginar uma prevenção primordial ao suicídio seria promover campanha antidrogas para quem nunca usou. É pouco palpável e até equivocado sugerir que a pessoa não desenvolva um transtorno mental ou que não tente pela primeira vez tirar a própria vida.
A prevenção primária é aquela em que se busca a exposição já existente aos fatores de risco, a fim de evitar a ocorrência. Entendendo e usando mais uma vez o exemplo do abuso de drogas e outras substâncias como um dos fatores de risco, criar campanhas antidrogas para os usuários de drogas pode ajudar a diminuir a impulsividade nos momentos de ideação suicida.
Nos casos de prevenção secundária, procura-se a detecção precoce do problema. Neste momento entram a identificação, diagnóstico e tratamento dos transtornos mentais. O indivíduo já foi exposto aos fatores de risco, porém ainda não dá sinais de que possa tirar a própria vida.
Na prevenção terciária, se faz a reabilitação de quem já tem o problema clinicamente detectável, e nesse caso deve-se dar atenção aos sinais de fatores estressores, ideações suicidas, cartas de despedida, organizações financeiras e burocráticas. O acompanhamento do paciente que já tentou se matar e que dá indícios de que pode tentar novamente deve ser feito de forma bem próxima por equipe especializada para o tratamento de saúde mental.
Por fim, na prevenção quaternária, o foco está nas estratégias para evitar ou atenuar o excesso de intervencionismo no tratamento de doenças crônicas e terminais, fornecendo informação necessária e suficiente para pacientes poderem tomar decisões autônomas, sem falsas expectativas, conhecendo as vantagens e os inconvenientes dos métodos diagnósticos ou terapêuticos propostos. O acompanhamento psicológico e psiquiátrico em cuidados paliativos inclui dar conforto ao paciente no fim da vida, para que ele não tenda a abreviar a vida por sofrimento pela doença.

Adrieli Borsoe

É Fisioterapeuta, acupunturista e especialista em avaliação e tratamento de dor crônica pela USP. Entende a saúde como um estado de equilíbrio para lidar com as adversidades da vida de forma mais harmônica

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