A secagem do café, causadora de grandes impactos no interior do Espírito Santo, está passando por profunda mudança. Após vários testes ao longo dos últimos anos, a secagem com gás (natural ou GLP) começou a ganhar tração e escala. O combustível, muito usado na transição energética, substituiu a lenha e a palha de café, tornando o processo muito mais limpo e seguro.
Um dos vetores de expansão é a parceria feita por Centro do Comércio de Café de Vitória e ES Gás, concessionária responsável pela distribuição de gás natural em todo o Espírito Santo, mas há outras formas, como com a distribuição de GLP (gás liquefeito de petróleo). É uma das primeiras vezes que o gás será usado no agronegócio brasileiro. Os testes mostram importantes ganhos de eficiência, produtividade, segurança e ambiental. Os resultados iniciais apontam inclusive na qualidade do café, que não é influenciado pela fumaça, mas especialistas vão seguir avaliando a influência da nova técnica no peso e no sabor do produto.
O Centro do Comércio de Café de Vitória, que representa os exportadores, tem total interesse no tema, afinal, tudo caminhando bem, será um bom diferencial de venda. Além dos ganhos de eficiência e produtividade, há ótimos argumentos de sustentabilidade - menos emissões e mais segurança, por exemplo -, o que ajuda na expansão do mercado externo e nos preços.
O objetivo é ampliar a distribuição de gás nas grandes áreas produtoras, principalmente Norte e Noroeste do Espírito Santo. Em 2026, a expectativa é de que a safra capixaba de café (arábica e conilon) fique em pouco mais de 20 milhões de sacas de 60 quilos. O Estado responde por cerca de 70% do conilon produzido no Brasil. Pelas contas do Centro do Comércio de Café de Vitória, 5,5 milhões de sacas devem ser exportadas, a partir dos portos capixabas, em 2026.
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