A Vports, concessionária responsável pelo Complexo Portuário de Vitória, começou a cobrar, agora em agosto, uma tarifa em cima da movimentação de carros. Em um primeiro momento, de 0,2% em cima do valor da carga. Até o final do ano, chegará aos 0,4%. A nova taxa, claro, gerou insatisfação nas tradings de comércio internacional, empresas responsáveis pela intermediação das operações. Na visão do Sindiex (Sindicato do Comércio Exportador e Importador do Espírito Santo), o Estado, que é a maior porta de entrada de veículos importados do Brasil, pode acabar perdendo competitividade.
"É um custo novo, que não estava na planilha e passou a estar. Estamos falando de algo que representa 0,2% do custo da carga e que vai chegar a 0,93%. Não é pouca coisa. Essa (a importação de carros) é uma cadeia relevante para o comércio internacional capixaba, que emprega milhares de pessoas, gera tributos e consome muito por aqui. Uma elevação de custos não é interessante, podemos acabar perdendo carga para outros portos do país. É um impacto que gera preocupação, sem dúvida", disse Sidemar Acosta, presidente do Sindiex.
De janeiro a julho de 2026, 231,3 mil carros entraram pelos portos do Espírito Santo. O valor comercializado no período ficou em US$ 4,27 bilhões. Hoje, 52% dos veículos importados entram no país pelos portos de Vitória e Vila Velha. De setembro de 2022 a julho de 2026, 750 mil veículos passaram pelo complexo.
De acordo com a Vports, a aplicação das tarifas sobre cargas movimentadas em regimes especiais, caso de automóveis, máquinas e equipamentos, tem o objetivo de promover a rotatividade das cargas e assegurar que as áreas compartilhadas do porto permaneçam disponíveis para atendimento aos diversos usuários que dependem das instalações para operar em uma estrutura multipropósito. "A cobrança das taxas está prevista e aprovada desde 2024, e foi postergada para garantir um processo de adaptação dos setores envolvidos, considerando a relevância do segmento importador para a economia capixaba. Cabe pontuar que foi estruturado um modelo de cobrança escalonado, para minimizar impactos e permitir a adaptação gradual dos usuários ao sistema. Importante ressaltar que a aplicação dessas tarifas, já praticadas em outros portos, passou por um criterioso rito de aprovação, em que a comunidade portuária foi ouvida, para posterior validação da agência reguladora (Antaq). A Vports reitera que a permanece aberta ao diálogo com os representantes do mercado, entidades setoriais e usuários do porto".
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