O mundo está atrás de soluções limpas para a produção de energia. O hidrogênio surge como a principal alternativa. Mas para que seja de fato limpo, o processo de isolamento da molécula, a chamada eletrólise (intensiva no uso de energia), não pode usar fontes poluentes, como o carvão. Eis que o Brasil, e o Espírito Santo, com grande potencial eólico, solar e importantes reservas de gás natural (combustível fundamental na fase de transição), surgem no cenário.
"O Brasil pode atender o mercado europeu, que está demandando energia, principalmente pela conjuntura geopolítica do momento. Eles estão procurando alternativas que dêem independência energética e com sustentabilidade. O Brasil tem todo o potencial para ser um grande exportador de hidrogênio", explica o diretor de Relações com o Governo da Shell Brasil, Thomas Lucena.
O executivo esteve em Vitória para o lançamento do Atlas Eólico do Espírito Santo, fruto de uma cooperação internacional entre o governo do Estado e o governo da Alemanha. A Shell tem seis estudos em andamento no país com o objetivo de mapear os melhores locais para a instalação de plantas eólicas. A corporação está de olho nas oportunidades, está buscando informações de qualidade e vai fazer investimentos grandes na área. O Espírito Santo está bem no páreo.
Vários estudos apontam que o Brasil tem um potencial enorme de geração de energia limpa. O Espírito Santo se destaca neste cenário. Muitos investidores de fora, principalmente os europeus, estão de olho. Como a Shell, que possui forte presença no Estado, se encaixa neste contexto de transformação energética?
A Shell está há 109 anos no Brasil. A distribuição e os postos de combustíveis estão por conta da Raízen (joint venture entre Cosan e Shell). A Shell se manteve focada na parte de exploração e produção de óleo, principalmente offshore (no mar) no Brasil.
Queremos saber quais são as áreas com o maior potencial de produção de eólica offshore. Estamos obtendo dados, colocando o Brasil no mapa global de investimentos desse tipo do Grupo Shell.
O Atlas Eólico produzido aqui no Estado é um documento que ajuda nessa tomada de decisão?
Os seis projetos que estamos estudando somam 17 GW. Estamos falando aqui (Atlas do Estado) de um potencial de 143.000 GW, muito mais do que a gente precisa. O local com maior potencial técnico será beneficiado, vai ser priorizado, portanto, essa pesquisa de obtenção de dados é muito importante.
O fato de a Shell já operar no Parque das Conchas, no mar capixaba, facilita alguma coisa?
Sem dúvida. Sendo uma operação offshore, e o Espírito Santo tem tradição no offshore, inclusive com o desenvolvimento de infraestrutura portuária, navegação de apoio... Enfim, é um diferencial com certeza.
Thomas Lucena
Diretor da Shell
Coloca o Estado à frente de estados que não têm nenhuma tradição de atividades econômicas offshore. Ter uma infraestrutura montada beneficia a produção de novos projetos, caso das eólicas offshore.
A Shell é um grande conglomerado europeu, continente que está puxando a fila dessa transformação energética. O que isso pode significar para o Brasil?
A produção do hidrogênio, por meio da eletrólise, é muito intensiva em energia. A fonte dessa energia vai determinar qual o tipo de hidrogênio que será fabricado.
É possível fabricar hidrogênio com energia produzida por termelétricas a carvão, ou seja, não trará benefícios ambientais. O hidrogênio serve como insumo energético para a substituição de outros combustíveis mais intensivos em carbono, muito usados no processo industrial.
O hidrogênio também pode ser usado na produção de amônia, para a fabricação de fertilizantes, e o Brasil é um grande consumidor de fertilizantes. É uma rota de produção de fertilizantes que não existia. O potencial é grande.
Uma nova e grande fronteira começa a se abrir...
Sem dúvida. O Brasil, país com proporções continentais, tem um mercado interno muito grande e tem rotas de exportação deste produto. Portanto, o Brasil pode atender o mercado europeu, que está demandando energia, principalmente pela conjuntura geopolítica do momento.
Eles estão procurando alternativas que dêem independência energética e com sustentabilidade. O Brasil tem todo o potencial para ser um grande exportador de hidrogênio.
Exportador de sustentabilidade?
Exatamente. Já fazemos isso, afinal, somos um dos maiores exportadores do mundo de etanol e biocombustíveis. O hidrogênio não pode ficar de fora dessa.
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