Vindo de quem, há pouco, estava no comando da maior empresa de petróleo do país, com profundo conhecimento da geologia nacional, é uma afirmação importante e estratégica. "Vejo a Foz do Amazonas, a Bacia de Pelotas e o Espírito Santo como relevantes fronteiras do petróleo no Brasil. Especificamente no Estado, enxergo grandes possibilidades nos campos maduros - com ganhos de eficiência e novas atividades exploratórias - e no pré-sal capixaba, aí falando de campos novos, ainda não explorados. Vejo uma atividade importante por aqui por mais 40 anos".
Prates acredita que a velocidade do processo no Estado dependerá do desempenho das atividades exploratórias na Margem Equatorial. "Saiu agora a primeira licença para o início da atividade exploratória, pode ser que não dê nada. Caso isso aconteça, vejo o Espírito Santo aparecendo, em um tempo relativamente curto, com muita força no cenário".
O Espírito Santo vem, nos últimos dez anos, tendo seguidas quedas na produção de petróleo. Em 2014, a extração média ficou em 367 mil barris por dia. Em 2024, foi de 154,9 mil barris/dia, encolhimento de 57,8% no período. Trata-se de uma consequência da queda vertiginosa da atividade exploratória. Entre 1998 e 2014, era frequente que o número de poços exploratórios (destinados à descoberta de novas jazidas) perfurados no Estado ficasse acima dos 20 por ano. Grande parte deles fica no mar, onde fica o grosso da produção. Entre 2015 e 2024, nunca a quantidade de perfurações superou os cinco poços. Sendo que, em 2016 e 2017, nada foi feito.
A indústria do petróleo e do gás natural responde por algo perto de 25% da indústria geral do Espírito Santo. Uma queda muito rápida teria consequências ruins para o PIB capixaba.