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Você já imaginou uma usina nuclear no Espírito Santo? Quase aconteceu

Aracruz, no Norte do Espírito Santo, foi alvo da Nuclebrás, estatal que cuidava de empreendimentos atômicos do Brasil, no fim dos anos 70

Publicado em 24 de Abril de 2015 às 17:56

Redação de A Gazeta

Publicado em 

24 abr 2015 às 17:56
Nos anos 70, em meio à corrida nuclear iniciada durante o período de Guerra Fria, o Espírito Santo foi centro da discussão atômica no Brasil.
O município de Aracruz recebeu estudos da empresa Tecnosolo, encomendados pela Nuclebrás - estatal responsável por administrar as intenções nucleares do país.
O programa nuclear brasileiro, comandado pelo então ministro das Minas e Energia César Cals, estudava a construção de uma usina de reprocessamento de urânio no litoral Norte, mais precisamente na Vila de Baiacu, em Santa Cruz, balneário de Aracruz.
A vontade da instalação era endossada, inclusive, pelo ministro da Tecnologia da Alemanha. A usina, que seria construída a longo prazo, começaria suas atividades em 1995.
Os ânimos, que começavam a arrefecer em todo mundo, se acirraram então entre estudantes e ambientalistas capixabas, que em 1979 começaram uma grande luta contra a implantação das usinas nucleares em Aracruz.
Os motivos eram diversos, desde danos à economia e ao desenvolvimento das atividades portuárias em todo Norte do Espírito Santo, até o medo da população de explosões e contaminações diversas.
Com o medo crescente da usina, estudantes, ambientalistas e sindicalistas se posicionaram contra a usina e fundaram o Comitê Capixaba Contra Instalação de Usinas Nucleares, liderado por Kléber Frizzera.
Na edição de 15 de julho de 1981 do Jornal A Gazeta, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, Gerson Diniz, favorável à luta do comitê, deu entrevista dizendo que "O Espírito Santo não precisa de unidade nuclear, e sim de escolas e hospitais".
Se uniram contra a vinda da usina nuclear o Sindicato dos Médicos, Sindicato dos Jornalistas, Sindicato dos Economistas, Instituto dos Arquitetos do Brasil, Associação Capixaba para a Proteção do Meio Ambiente, União dos Professores do Espírito Santo, Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), Associação dos Docentes da Universidade Federal do Espírito Santo, Sindicato dos Engenheiros, Sindicato dos trabalhadores nas Empresas de Fornecimento de Energia, Centros Acadêmicos de Assistência Social e Economia e Diretório Central dos Estudantes.
A favor da implantação da usina no Estado, o ex-governador capixaba Gerson Camata, então deputado federal, explicou que, desde a época, o Espírito Santo nunca foi produtor da própria energia e, com a implantação da usina, essa realidade mudaria e economizaria bilhões aos cofres públicos.
"Na época fiz discurso, mandei carta para Geisel (presidente militar em exercício em 1979), mas não conseguimos. Todo mundo me meteu o porrete e hoje já se fala da energia nuclear como uma das mais limpas", disse Camata.
Governador do Espírito Santo de 1979 até 1983, Eurico Rezende lidou com a questão e, em entrevista coletiva, afirmou ser sempre contrário, alegando ao próprio presidente Figueiredo que a instalação da usina seria um "dispêndio financeiro vultuoso, numa época em que o Espírito Santo passava por um momento financeiro difícil".
Após muitos protestos pelas ruas de Vitória e até pichações pelos muros da cidade contra o programa, a possibilidade da instalação das usinas em Aracruz foi finalmente descartada pelo ministro César Cals em 25 de julho de 1981, quando afirmou à imprensa que "a prioridade para a Nuclebrás no próximo ano seria a retomada do ritmo mais acelerado das construções de Angra II e Angra III".
Depois de muita luta, os capixabas conseguiram afastar a instalação da usina nuclear e, por sua vez, o medo da estação de reprocessamento de urânio, que ainda voltaria no ano de 2010, mas seria afastada rapidamente pela indisponibilidade hídrica para resfriar os reatores.
Reportagem originalmente publicada em 25/04/2015, por Wing Costa. 
A Capixapédia tem como objetivo divulgar curiosidades, fatos históricos, desvendar enigmas e tratar de assuntos diretamente relacionados ao Espírito Santo. Tem alguma curiosidade? Conhece algo curioso sobre o Estado e quer compartilhar com a gente? Mande um email para [email protected]

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