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História

Luigi: relembre a história da fábrica capixaba de delícias geladas

Picolés de graviola, açaí e pitanga e os sorvetes de amarena, tiramissu, café, coco com nozes, chantilly e milho verde eram os mais consumidos no ES
Redação de A Gazeta

Publicado em 

31 jul 2017 às 20:18

Publicado em 31 de Julho de 2017 às 20:18

Capixapédia sobre a Sorvetes Luigi, tradicional fábrica capixaba
Capixapédia sobre a Sorvetes Luigi, tradicional fábrica capixaba Crédito: Divulgação
Com mais de três décadas de funcionamento, a empresa capixaba Luigi conquistou milhares de fãs com suas delícias refrescantes. O “gato frio” — um tablete de sorvete entre dois biscoitos wafers — foi a grande sensação que impulsionou o sucesso da empresa no Espírito Santo. As sobremesas, que eram produzidas aqui no Estado, enfrentavam as grandes concorrentes de nível nacional como Kibon, do grupo Unilever, e Nestlé.
A história da Luigi começou quando o empresário Luiz Carlos de Freitas Pacheco decidiu criar pela Luigi a novidade do “gato frio”, mais conhecido como sanduíche de sorvete, que já era popular no Rio de Janeiro. O empresário montou um trailer na praia de Setiba, em Guarapari, no ano de 1976, e aproveitou a Feira dos Municípios, que na ocasião aconteceu em Vitória, para divulgar a novidade. Insatisfeito que os clientes não notavam o estande, Luiz pegou um alto-falante e anunciou que vendia um sorvete diferente. Uma fila se formou, as pessoas experimentaram e a delícia foi aprovada.
O "gato frio", mais conhecido como um sanduíche de sorvete, foi a grande inovação da Luigi Crédito: Arquivo
O primeiro sorvete produzido pela Luigi foi no dia 24 de dezembro de 1976. A experiência no ramo deu tão certo que Luiz Carlos decidiu montar sua própria fábrica na Praia do Canto, em Vitória, e se tornou uma conceituada marca capixaba.
“Já começamos com equipamentos bastante modernos e passamos a fornecer 30 sabores de sorvete de massa em embalagens de 10 litros para sorveterias. Desde o início, prezamos a qualidade e investimos em sabores diferenciados, com uma produção artesanal e dentro dos padrões europeus”, afirmou Luiz em entrevista ao jornal A Gazeta, em 2009.
EXPANSÃO DE FRANQUIAS
Nos primeiros 10 anos de empresa, a Luigi produziu sorvetes de massa, que eram vendidos em lojas próprias e para diversas sorveterias franqueadas espalhadas pelo Estado, além de pontos de venda nas cidades de Belo Horizonte, em Minas Gerais, e em Campos e Niterói, no Rio de Janeiro.
Crédito: Cedoc | A Gazeta
Em 1986 aconteceu a primeira reviravolta da empresa por conta da criação de um novo plano econômico – o Plano Cruzado do governo Sarney. Na época, na tentativa de conter a inflação, os preços dos produtos foram congelados. O setor de sorveteria sofreu um forte impacto e isso causou o fechamento de algumas franquias da Luigi.
O momento de turbulência logo foi superado e a Luigi deu continuidade a produção. Em 1989, a empresa começou a produzir sorvetes embalados. Em 1992, as instalações da fábrica foram para um local mais amplo, em Vila Velha, onde funcionou até o fechamento, em meados de 2010, segundo informações de familiares.

CURIOSIDADE

Em 2003, a Luigi tinha um faturamento de R$ 11 milhões por ano e a produção era de quatro milhões de litros de sorvetes e picolés anualmente. Atuando em todo o Espírito Santo, no Sul da Bahia, Leste de Minas Gerais, Brasília e Pernambuco, a empresa comercializava 65% da sua produção através de supermercados, padarias e outros estabelecimentos comerciais, num total de de três mil pontos.
O sorvete, vendido em embalagens próprias nesses pontos de venda, foi o que permitiu a empresa crescer, depois da crise das franquias, pós-Plano Cruzado. A fábrica, que contava com 200 funcionários, também forneceu seus produtos para a rede de supermercados Sendas, do Rio de Janeiro, que vendia a produção como marca própria.
Segundo Luiz Carlos, que deu entrevista ao jornal A Gazeta em fevereiro de 2003, no Brasil, sorvete e picolé eram vendidos como produtos sazonais, sendo mais consumidos no verão, diferentemente de países da Europa e dos Estados Unidos. De acordo com ele, seria preciso um trabalho intenso para que esses produtos fossem consumidos como alimento e não como guloseima.
Com 19 sabores de picolés e sorvetes vendidos em embalagens e 40 sabores comercializados nas gelaterias, a Luigi chegou a comprar 90% das polpas de frutas no Espírito Santo, tanto de produtores como de empresas fornecedoras.

CONCORRENTE DA KIBON E NESTLÉ

Crédito: Cedoc | A Gazeta
Uma das estratégias da Luigi para conquistar o mercado e brigar com as concorrentes Kibon e Nestlé, era oferecer uma variedade de sabores voltados para a preferência dos capixabas. Os picolés de graviola, açaí e pitanga e os sorvetes de amarena, tiramissu, café, coco com nozes, chantilly e milho verde eram os mais consumidos no Estado.
A Luigi trabalhava, ao todo, com 120 produtos. Uma das linhas, a Impulso, era integrada pelos picolés, cones, sunday e copinhos. Já a linha Doméstica era composta de potes de um litro, 1,8 litros e dois litros. A linha Granel apresentava os baldes de cinco litros em 36 sabores, mais três opções light, que eram sem a adição de açúcar.
Em 2003, Luiz Carlos afirmou que as concorrentes não atrapalhavam a Luigi. “Eu penso que a concorrência abre mercado e é boa para todos. Nós enfrentamos a atuação agressiva da Nestlé, no Rio de Janeiro, e, no princípio, é claro, houve uma mudança no volume de vendas, mas, depois, o mercado foi se ajeitando para acomodar todos”, comentou na ocasião.

LUIGI SIGNIFICA “LUIZ”

Luiz Carlos de Freitas Pacheco, diretor-presidente da Luigi Crédito: Arquivo | A Gazeta
Luiz Carlos de Freitas Pacheco, na época diretor-presidente da Luigi, era descendente de italiano. O nome Luigi, segundo o empresário, foi uma sugestão da esposa dele, Regina Maria de Andrade Pacheco, que achou interessante traduzir o nome do marido para o italiano.
Antes de abrir a fábrica, Luiz, que era formado em contabilidade, já tinha trabalhado como bancário e como executivo de uma multinacional farmacêutica no Brasil, nos Estados Unidos e na Espanha. A vinda do empresário do Rio de Janeiro para Vitória, em 1972, não foi motivada pelo sorvete, mas sim pela construção civil, onde atuou por três anos junto com os sobrinhos.
O empresário, que nasceu no dia 4 de fevereiro de 1931, em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, morreu no dia 19 de março de 2009. Ele era conselheiro da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) e era participante ativo da Rotary International.
Em dezembro de 2008, após exames, Luiz descobriu um câncer no pulmão. Ele passou por um procedimento cirúrgico, mas faleceu devido a complicações causadas por uma diverticulite.

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