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Paixão pelo futebol

Caxirica: repressão e preconceito na história do futebol feminino do ES

Celeste Ribeiro chegou a ser chamada por um time de Jucutuquara, mas foi proibida pela família

Publicado em 17 de Junho de 2019 às 21:18

Redação de A Gazeta

Publicado em 

17 jun 2019 às 21:18
Celeste Ribeiro: a Caxirica Crédito: Reprodução | José Carlos Mattedi
Há muito tempo, o futebol era considerado como uma atividade violenta e exclusivamente praticada por homens. No pensamento da época, mulheres tinham que ser delicadas e ficar reservadas ao espaço privado. Na atualidade, (ainda bem que) já não é mais assim. O que pouca gente sabe é que uma capixaba que nasceu em Vitória no ano 1917 se pôs fora dos enquadramentos sociais que eram impostos a ela e, na sua infância, brincou de várias atividades que seriam unicamente para os meninos.
Em uma fazenda em Maruípe, Celeste Ribeiro montava a cavalo, ajudava seus avós a cuidar do gado e em seu tempo livre soltava pipa, rodava pião e jogava bola de gude. Porém a paixão verdadeira da menina era o futebol. "Caxirica", como foi apelidada (não se sabe o porquê), jogava no terreiro da fazenda com seus tios e garotos da vizinhança, e mesmo com a repressão de sua avó e de todos vizinhos ela sempre dava um jeito de ter uma bola no pé.
Sua reputação de boa jogadora se espalhou e ela não demorou a ser convidada para jogar no campinho que havia na região. Quando Celeste ainda era viva, contou ao José Carlos Mattedi — que escreveu um artigo sobre a Caxirica em seu livro "Anjos e Diabos do ES" - que jogava em meio aos meninos sem problemas. Caxirica chegou a se gabar por ter sido uma ponta de lança (posição na época parecida com a meia-atacante) goleadora. Chegou até ser chamada para um pequeno time masculino em Jucutuquara, porém sua avó proibiu.
À época, a mulher relatou que sua paixão pelo futebol era eterna, mas foi obrigada a largá-la aos 18 anos por uma pressão social — já que sua família sofria um enorme preconceito por ela ser uma moça "diferente do comportamento aceito". Caxirica perdeu seu apelido dos campos de várzea, mas a proibição a carregou para outro lado de sua personalidade
Decepcionada, ela começou a tocar cavaquinho e participar de grupos amadores de chorinho para afogar as mágoas. Celeste era uma apreciadora da farra e amigos para festejar não lhe faltavam. Futebol para ela, a partir deste momento, somente como espectadora. Acompanhava os jogos do Rio Branco aqui no Estado, mas se tornou fanática mesmo pelo Fluminense.

Repressão

A época em que Caxirica teve seu nome apagado da história era, com certeza, um momento muito repressor para mulheres, porque não era a única jogadora frustrada. Ela tinha amigas que também jogavam e sentiam o mesmo preconceito.
Time de futebol feminino do Lineu Muniz Freire, Cachoeiro de Itapemirim, final dos anos 1930 Crédito: Reprodução | José Carlos Mattedi
O futebol feminino no Brasil sofreu várias vezes com a repressão social e jurídica. Hoje em dia é um esporte olímpico e tem visibilidade mundial, porém nossa cultura, mesmo depois de Cristiane e Marta, ainda não dá a mesma audiência e importância que ao futebol masculino.
No Espírito Santo o campeonato estadual teve sua primeira aparição somente em 2010, de acordo com o site da Federação de Futebol do Estado do Espírito Santo. A profissionalização do esporte no Estado ainda engatinha, mas, aos poucos, evitaremos que outras 'Caxiricas' desapareçam de nossa história.
 As informações dessa publicação estão contidas no livro "Anjos e Diabos do Espírito Santo - Fatos e Personagens da História Capixaba Volume II", do escritor José Carlos Mattedi 

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