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Jararacuçu

Substância presente em veneno de cobra pode inibir avanço da Covid-19

Estudo mostrou que uma proteína foi capaz de inibir a capacidade de replicação do novo coronavírus em 75% quando testada em macacos

Publicado em 25 de Agosto de 2021 às 20:52

Agência Brasil

Publicado em 

25 ago 2021 às 20:52
Cobra jararacuçu
Cobra jararacuçu Crédito: Instituto Vital Brazil
Pesquisadores de universidades de São Paulo identificaram uma proteína presente no veneno da cobra jararacuçu que pode ajudar no tratamento da Covid-19. O peptídeo identificado inibiu 75% da capacidade do novo coronavírus de se replicar em células de macaco. O estudo da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) foi publicado na revista científica Molecules, no último dia 12 de agosto.
Professor do Instituto de Química, Eduardo Maffud é um dos responsáveis pelo estudo e explica que o grupo de pesquisa já havia identificado toxinas no veneno da jararacuçu que tinham atividade antibacteriana. “Com o avanço da Covid-19, a gente posicionou vários dos nossos peptídeos para ver se eles apresentavam atividade contra o Sars-CoV-2. Felizmente, a gente obteve esse resultado interessante”, disse.
De acordo com o pesquisador, um possível remédio com o composto descoberto, ao desacelerar a replicação do coronavírus, daria mais tempo para o organismo agir e criar os anticorpos necessários para resistir à doença. “Isso ainda está em andamento, precisaria de estudos adicionais, mas a gente viu que esse peptídeo impede a replicação ou a multiplicação das partículas virais”, acrescentou Maffud.
Os pesquisadores ainda vão avaliar também a eficiência de diferentes dosagens da molécula, e se ela pode exercer funções de proteção na célula, o que poderia evitar, inclusive, a invasão do coronavírus no organismo.
Segundo Maffud, os estudos vão seguir com a identificação de outros alvos em que esse peptídeo pode agir e no melhoramento da atividade dessa molécula para, então, serem feitos testes in vivo em cobaias, como camundongos. “Se o resultado for positivo, vamos desenvolver um tratamento", adiantou.
Além de cientistas da Unesp, o trabalho envolveu pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Foi um trabalho multidisciplinar, mostrando que a união dos grupos de pesquisa no Brasil pode apresentar resultados muito interessantes”, destacou o professor.

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