Publicado em 26 de setembro de 2025 às 10:28
Três policiais militares condenados e presos pela morte de um jovem em 2008 continuam recebendo salários em São Paulo. A manutenção do pagamento contraria o Regulamento Disciplinar da Polícia Militar do Estado de São Paulo, que prevê demissão de policiais condenados por crimes como homicídio.
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PMs cumprem pena por homicídio qualificado, mas continuam recebendo vencimentos. A reportagem apurou junto ao Portal de Transparência da SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) que três dos seis agentes condenados receberam remunerações até agosto. Rogério Monteiro da Silva, Claudio Bonifazi Neto e Jorge Pereira dos Santos foram presos no final do ano passado. Eles foram condenados por participação na morte de Marcos Paulo Lopes de Souza, obrigado a beber lança-perfume em 2008.>
Salários variam entre R$ 5.436,81 e R$ 12.391,59. Enquanto recorriam das condenações pela morte, os agentes foram promovidos dentro da Polícia Militar paulista, Jorge saiu de 3º sargento para 1º; Rogério e Cláudio eram soldados e se tornaram cabos. Polícia Militar diz que perdas de cargos e remunerações vão acontecer. Ao UOL, a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública) explicou que a tramitação está em fase final. "A Corporação reforça que não compactua com desvios de conduta e adota todas as medidas legais cabíveis para responsabilizar seus integrantes, sempre em conformidade com a legislação vigente", concluiu a PM, em nota.>
Defesa dos policiais disse à reportagem que não sabe esclarecer o motivo de eles ainda receberem salários. >
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Além de Rogério, Cláudio e Jorge, também foram condenados Rafael Vieira Júnior, Edmar Luiz da Silva Marte e Carlos Dias Malheiro. Ao todo, os seis policiais receberam penas que variam entre 14 e 18 anos de reclusão. Eles foram condenados pela morte de Marcos e pelo constrangimento ilegal de outro jovem, que acompanhava a vítima.>
Nesta semana, o tenente-coronel Malheiro foi demitido. Mas até agosto ele ainda recebia salário de R$ 29.838,81, mesmo condenado. Os dados de Rafael e Edmar não constam na folha de pagamento do mês de agosto no Portal da Transparência da SSP-SP.>
Vítimas eram jovens de 18 e 19 anos. Eles estavam em uma viela de uma comunidade em Itaquera, na zona leste de São Paulo, quando foram abordados. Questionados se eram traficantes, ambos negaram.>
Eles disseram que estavam apenas fumando maconha, e os policiais obrigaram os dois a comer o cigarro. Depois, os agentes vistoriaram um terreno e encontraram frascos do líquido indicado como lança-perfume.>
PMs fizeram os jovens beberem o lança-perfume. Eles foram obrigados mesmo após implorarem para serem presos. Os agentes apontaram armas para os dois e os ameaçaram de morte. Todo o relato do ocorrido é do sobrevivente, em depoimento à Justiça, obtido pela reportagem.>
Marcos engoliu o líquido enquanto o amigo fingiu beber e cuspiu em seguida. De acordo com o inquérito policial, Marcos começou a passar mal e sentiu vontade de vomitar, mas os agentes disseram que, se isso acontecesse, eles teriam que lamber o chão. >
Durante a ação, os policiais ainda jogaram spray de pimenta contra os jovens e os golpearam com tapas. Ao fim, os agentes mandaram a dupla correr. A alguns metros da abordagem, a vítima caiu. Policiais civis de uma delegacia próxima à ocorrência foram chamados por moradores. Eles chegaram a encaminhar o jovem para o hospital, que não resistiu e morreu. Laudo necroscópico apontou que morte de Marcos foi causada por intoxicação exógena aguda por tricloroetileno, material usado na fabricação de solventes, somada ao esforço físico. >
À reportagem, a defesa dos policiais disse que não ficou provada a ingestão do liquido pela vítima. Segundo a advogada que acompanhou o caso, Flávia Bonifazi, familiar de Claudio Bonifazi Neto, a morte não ficou explicada pelo laudo.>
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