Publicado em 25 de janeiro de 2024 às 08:35
BRASÍLIA, DF - A Polícia Federal cumpre na manhã desta quinta-feira (25) mandados de busca e apreensão e de suspensão de exercício de funções públicas de policiais federais envolvidos no uso no software espião FirstMile pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência).>
Os mandados são cumpridos em Brasília (DF), Juiz de Fora (MG), São João Del Rei (MG) e Rio de Janeiro (RJ). Um dos alvos de busca é Alexandre Ramagem, chefe da Abin no governo de Jair Bolsonaro (PL), atual deputado federal e pré-candidato do PL à Prefeitura do Rio de Janeiro.>
Ao todo, sete policiais são alvos da ação, batizada de Vigilância Aproximada e que investiga, segundo a PF, uma "organização criminosa que se instalou na Abin com o intuito de monitorar ilegalmente autoridades públicas e outras pessoas, utilizando-se de ferramentas de geolocalização de dispositivos móveis sem a devida autorização judicial.">
A operação é uma continuação da operação Última Milha, deflagrada em outubro de 2023.>
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Como mostrou a Folha de S.Paulo, Ramagem é investigado porque os monitoramentos ilegais ocorreram durante sua gestão e por supostamente ter se corrompido para evitar a divulgação de informações sobre o uso irregular do software espião durante sua gestão.>
O ex-diretor da Abin teria sido corrompido por dois oficiais da Agência que ameaçaram divulgar o uso do software espião após a agência cogitar demiti-los em um processo administrativo interno por participação em uma fraude licitatória do Exército.>
Segundo a PF, as provas coletadas na primeira fase da operação mostram que "o grupo criminoso criou uma estrutura paralela na Abin e utilizou ferramentas e serviços daquela agência de inteligência do Estado para ações ilícitas, produzindo informações para uso político e midiático, para a obtenção de proveitos pessoais e até mesmo para interferir em investigações da Polícia Federal.">
Documentos em posse da Polícia Federal na operação Última Milha revelados pela Folha de S.Paulo indicam que funcionários da Abin lotados no CIN (Centro de Inteligência Nacional) utilizaram o software espião FirstMile durante o governo Bolsonaro.>
O CIN tem origem em um decreto de Bolsonaro, assinado em julho de 2020, que criou novas estruturas dentro do organograma da Abin, à época chefiada por Ramagem.>
A justificativa para criação do CIN foi planejar e executar "atividades de inteligência" destinadas "ao enfrentamento de ameaças à segurança e à estabilidade do Estado" e assessorar órgãos competentes sobre "atividades e políticas de segurança pública e à identificação de ameaças decorrentes de atividades criminosa".>
Foram colocados em cargos de chefia na nova estrutura servidores da agência e policiais federais próximos à Ramagem e da família Bolsonaro, o que fez com que o CIN fosse apelidado de Abin paralela.>
O centro foi desmontado pela reestruturação promovida pela atual direção da Abin, já no governo Lula (PT), após a operação da PF que mirou o software espião.>
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