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Marielle Franco

Pais de Marielle são contrários à federalização das investigações

A ex-vereadora foi assassinada no dia 14 de março de 2018

Publicado em 12 de Setembro de 2019 às 16:52

Redação de A Gazeta

Publicado em 

12 set 2019 às 16:52
Marielle Franco Crédito: Reprodução/Instagram
Os pais da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), morta no dia 14 de março de 2018, são contrários à federalização das investigações do crime que provocou também a morte do motorista Anderson Gomes. Para o pai de Marielle, Antônio Francisco Silva Neto, a transferência das investigações para o âmbito federal é desnecessária, após um ano e meio de condução do caso pelas autoridades do Rio de Janeiro. Ele questionou a proposta de federalização feita pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge faltando pouco tempo para ela deixar o cargo.
“Por que vai para a esfera federal começar um inquérito que já tem esse longo período de investigação? Acho que não é necessário. Nós acreditamos nas autoridades no Rio de Janeiro, que já deram passo importante na prisão dos dois envolvidos. Por que agora, no final do mandato dela, pedir a federalização? Não vejo necessidade. Confiamos no pessoal do Rio de Janeiro, que já têm envolvimento com o pessoal da Polícia Federal na investigação. Se ela tinha esse interesse, deveria ter feito o pedido antes e não no final do seu mandato”, disse durante uma entrevista na sede da Anistia Internacional Brasil, na zona sul do Rio.
A advogada Marinete Silva, mãe de Marielle, reforçou o argumento. Segundo a mãe, a federalização não faz sentido no momento e seria um processo mais doloroso para as famílias. “Não tem por que sair. Até porque, isso indo para a esfera federal hoje, a gente não sabe na mão de quem vai cair este processo.”
“Se tem uma investigação há um ano e seis meses, integrada com a Polícia Federal, não há por que sair do estado onde aconteceu todo o crime para ir à esfera federal”.
Conforme a diretora executiva da Anistia Internacional Brasil, Jurema Werneck, o que deve existir é uma integração das autoridades envolvidas com poderes investigativos. “Nós não opinamos quem deve estar à frente da investigação. O que nós dizemos é que quem quer que seja tem que trabalhar de forma integrada e cooperada para trazer as respostas o quanto antes”, disse.
OFÍCIOS 
 
Ainda na entrevista de nesta quinta-feira(12), a Anistia Internacional divulgou os textos de dois ofícios, um encaminhado ao governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, e o outro ao procurador-geral de Justiça, José Eduardo Gussem. Nos ofícios, a entidade cobra informações atualizadas sobre as investigações do crime e informa que, após seis meses das reuniões com as autoridades para tratar do crime, quando foi firmado o compromisso de aplicação de recursos e esforços para descobrir os mandantes, “não houve evoluções significativas, gerando dúvidas sobre a prioridade dada pelo governo a este caso”, como aponta o texto encaminhado a Witzel.
De acordo com a diretora executiva da Anistia Internacional Brasil, a entidade vai continuar com a cobrança até que sejam identificados os autores do crime. “Nós não vamos parar até que essas respostas venham. Não vamos parar até que o governador do estado do Rio de Janeiro, até que o procurador do estado do Rio de Janeiro, que as autoridades responsáveis nos tragam a informação com as provas suficientes sobre quem mandou matar e por que mandou matar. Também não vamos descansar até que essas pessoas sejam levadas à Justiça e sofram o julgamento justo e sejam responsabilizadas. Esse é o compromisso da Anistia Internacional. O que a gente quer reiterar aqui hoje é isso. A morosidade não é resposta. O silêncio não é resposta”, apontou.
Para Jurema Werneck, cabe às autoridades responder quem são os mandantes e elas têm a obrigação de dizer se o procedimento aplicado na investigação está certo. “Do nosso ponto de vista, o que precisamos saber é quem mandou matar e por que e também se tudo que foi feito foi de forma adequada. Nós não vamos discutir se foi esse ou aquele. Não cabe a nós. Cabe às autoridades envolvidas e encarregadas das investigações vir a público e dizer se todas as matérias [jornalísticas], que saíram ao longo do tempo, são verdadeiras”, disse.
Em resposta à solicitação da Agência Brasil de uma declaração do governo do estado sobre o ofício encaminhado pela Anistia ao governador, a Secretaria de Estado de Polícia Civil, escolhida para atender ao pedido, informou que “a investigação está sob sigilo”. Já o Ministério Público não respondeu até o momento da edição desta matéria.
DEZOITO MESES
 
O crime completa um ano e meio no próximo sábado (14). Para o pai de Marielle, é muito tempo sem respostas sobre os autores da morte da filha e do motorista Anderson. “[São] 538 dias do assassinato da minha filha. Desde o início, nossas perguntas são as mesmas. Quem mandou matar Marielle e por quê? Dois indivíduos estão presos e esperamos que sejam levados a júri e condenados exemplarmente, porque, se não forem condenados os assassinos e os mandantes, para nós será uma decepção muito grande, para a sociedade nacional e internacional da mesma forma. É inadmissível que uma defensora dos direitos humanos seja assassinada nos dias de hoje no Brasil e com toda tecnologia que temos não serem descobertos os mandantes”, afirmou Antônio Francisco.
Na visão da mãe da vereadora, apesar do tempo sem a solução do crime, não é possível perder a esperança de que o caso vai ser resolvido. “Não posso deixar de ter esperança de saber quem mandou matar a minha filha. A gente tem que ter esperança sempre. Independente da minha dor profunda”, contou.
A diretora da Anistia afirmou que, durante todo esse tempo, várias vezes autoridades indicaram que a solução do caso estava próxima, mas não foi isso que ocorreu. “Em diferentes momentos recebemos das autoridades essas informações. Em todos os momentos das autoridades não estavam falando a verdade como a gente vê até agora”.
Marinete Silva está confiante também na audiência, prevista para o dia 4 de outubro, com o policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Queiroz, apontados como suspeitos de participar dos assassinatos e presos em unidade federal no Norte do país. “Não quer dizer que eles vão delatar diretamente quem mandou, mas a gente já tem alguma coisa para que sejam levados a júri e a [pode ser que a] gente tenha alguma coisa mais concreta em relação à morte da minha filha”, disse.

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