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O Brasil que os capixabas querem para o futuro

O Brasil que os capixabas querem para o futuro

Em vídeos enviados para o projeto da TV Globo, eleitores pediram mais saúde, educação, segurança e garantia de direitos básicos.

Publicado em 5 de outubro de 2018 às 23:37

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Um Brasil com mais saúde, educação, segurança e menos corrupção. Esse é um retrato do que muitos capixabas querem para o país no futuro. Moradores de todos os 78 municípios do Espírito Santo enviaram vídeos para o projeto "Brasil que eu quero", da TV Globo, respondendo a pergunta: "Que Brasil que eu quero para o futuro?".

Milhares de brasileiros não hesitaram em mostrar os problemas que os afligiam. Em todo o país foram mais de 50 mil participações de 99,5% dos municípios brasileiros. Crianças, adolescentes, adultos e idosos enviaram seus desejos de viver em um país melhor.

De todas as contribuições recebidas de todo o Brasil, o pedido mais frequente foi o de educação de qualidade – cerca de 15,5% de todos os mais de 120 mil pedidos feitos.

De Norte a Sul do Espírito Santo, os capixabas participaram e enviaram seus vídeos, que foram exibidos em todos os telejornais da emissora. Nos trechos divulgados, os capixabas pediam a garantia de direitos básicos à população, além de maior atenção à agricultura e meio ambiente.

Um deles foi o do morador de Afonso Cláudio, Balbino Vargas – "O Brasil que eu quero é um Brasil com políticos decentes que governem para o povo. Quero ver um Brasil que invista mais na educação. Nós somos o povo e só o povo pode mudar essa página que envergonha o nosso país", disse.

Os capixabas também pediam melhorias em outros aspectos como "um Brasil com mais respeito e tolerância", segundo a moradora de Fundão Lisley Coelho; ou ainda "um sistema que não seja tão falho", como apontou Gilvani Rodrigues da Silva, de Ecoporanga.

Ângela Natali, de Colatina, foi uma das telespectadoras que pediu que o governo fizesse algo pela saúde e pela educação, mas não se esqueceu do problema da lama de rejeitos no Rio Doce, que atingiu em cheio o meio ambiente na região onde ela vive.

RETRATO DO PAÍS

Para o cientista político Fernando Pignaton, esse é um retrato do que a maior parte da população quer dos governantes. "O Brasil é um país que convive com serviços com muitos problemas, com uma infraestrutura muito problemática, com um sistema político muito marcado pela questão da corrupção. Então, esses temas prevalecem, o que é natural."

Pignaton também afirma que o que foi apresentado pelo quadro da TV Globo está em conformidade com os levantamentos de pesquisas e também do IBGE. Agora, o cientista político acredita que seja o momento de discutir políticas públicas que resolvam esses problemas estruturais do país.

O professor da FGV-MMurad e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), José Mauro Gonçalves Nunes, concorda que Brasil tem problemas na oferta de serviços básicos para a população, sobretudo a nível municipal e estadual.

O problema de gestão, de prestação de contas e de cumprimento de direitos básicos se repete em todos os Estados brasileiros. "Primeiro, a população quer acesso aos serviços básicos, depois que esse acesso é garantido, a reivindicação passa a ser por serviços com mais eficiência e qualidade. O brasileiro vem pedindo mais qualidade nesse sentido desde as manifestações de 2013, quando pedia escolas, hospitais e segurança 'padrão FIFA'. Depois que o acesso e universalizado, é pedido mais qualidade e eficiência", afirmou.

MAPA POLÍTICO

Em um cenário de crise econômica e política, a busca de recursos para investimentos nos Estados requer muito esforço por parte das bancadas federais no diálogo com o governo federal. Por diversos momentos na história do Espírito Santo, esse impasse foi um impedimento para que obras de infraestrutura se tornassem realidade. Um exemplo claro na memória dos capixabas é a obra do novo aeroporto, que demorou mais de uma década para ser entregue à população.

Pignaton acredita que, por enquanto, ainda não dá para prever qual será a posição do Espírito Santo no novo mapa político. Ele afirma que o cenário está incerto e só será definido depois do resultado da eleição de amanhã.

"Mas há um sentimento no Estado, identificado em pesquisas, de que o capixaba gostaria que a bancada federal tivesse um planejamento estratégico de quais seriam as prioridades para a nossa bancada. Chamar agentes da sociedade, Assembleia Legislativa, governo do Estado, para que essa pauta unificasse as articulações políticas e se formar um bloco", pontuou.

O professor José Mauro acrescenta que o Espírito Santo ganhou relevância nacional por causa da exploração de petróleo o gás. E por isso, se vê um fluxo de verbas sendo direcionadas ao Estado.

No entanto, o professor também ressalta que a economia diversificada do Estado foi capaz de mantê-lo melhor na crise em relação a outros Estados, como o Rio de Janeiro.

"A economia capixaba não se apoia somente na exploração de petróleo, também tem uma agricultura forte, tem o turismo, tem a exploração de pedras. Outro ponto foi a preocupação com o equilíbrio das contas públicas, que fez com eficiência e por isso não sentiu a crise com tanta força", completou.

Apesar disso, José Mauro lembra que ainda há um problema, que não é só do Espírito Santo, mas de todo o país, que é a necessidade de melhorar a prestação do serviço público nos municípios.

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Segundo o professor, a verba federal chega, mas nem sempre é executada por sequenciais erros de projeto, má gestão pública. "O Estado precisa se preocupar em contratar servidores que atuem com mais competência e com mais eficiência para melhorar a qualidade do serviço público", disse.

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