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Metanol de bebidas batizadas saiu de ao menos 2 postos de cidades de SP, diz polícia

Metanol de bebidas batizadas saiu de ao menos 2 postos de cidades de SP, diz polícia

Os postos ficam em Santo André e São Bernardo do Campo; polícia disse que o combustível apreendido na casa da dona de uma fábrica de bebidas falsificadas

Publicado em 17 de outubro de 2025 às 15:18

Há a suspeita de que a fábrica de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo esteja ligada a duas mortes
Há a suspeita de que a fábrica de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo esteja ligada a duas mortes Crédito: Divulgação Governo do Estado de São Paulo

A Polícia Civil de São Paulo identificou ao menos dois postos de combustíveis, localizados no ABC paulista, que estariam ligados a intoxicações com metanol em bebidas. Os postos ficam em Santo André e São Bernardo do Campo. Em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (17), o delegado-geral Artur Dian disse que o combustível apreendido na casa da dona de uma fábrica de bebidas falsificadas durante uma operação policial realizada na semana passada foi comprado nesses locais.

A polícia suspeita que fábrica comprasse etanol para adulterar bebidas. O combustível, por sua vez, teria sido adulterado com metanol pelos postos. Os produtos de bebidas falsificadas teriam misturado o etanol contaminado à vodca vendida para bares. Os estabelecimentos estão sendo fiscalizados, disse Dian na entrevista. Segundo ele, após a fiscalização, medidas como a aplicação de multas ou interdições podem ser aplicadas.

Nova operação foi realizada hoje

A operação desta sexta-feira é desdobramento de ação realizada na semana passada em fábrica clandestina ligada a duas mortes por intoxicação. Na ocasião, uma mulher identificada apenas como Vanessa, que seria dona do local, foi presa. Outras oito pessoas foram levadas à delegacia para prestar esclarecimentos.

Nesta sexta, agentes buscaram por familiares da suspeita. Um homem que fornecia vasilhames usados na falsificação também está entre os alvos. As buscas e apreensões foram em três endereços do garrafeiro que atuava no esquema, dois do irmão dele e outros dois endereços comerciais dessas duas pessoas.

Marido, pai e cunhado da dona da fábrica também são investigados. De acordo com a delegada Isa Lea Abramavicus, da 1ª Delegacia de Polícia da Divisão de Investigações sobre Infrações contra a Saúde Pública, que também participou da coletiva, o "núcleo familiar atuava de forma conjunta". "E na investigação, para descobrirmos onde essa bebida havia sido comprada a gente chegou a dois postos de combustíveis. De que forma? ou a Vanessa ou a pessoas ligadas a Vanessa tinham transações financeiras de compra de combustíveis com esses postos de gasolina. Então agora fechou esse ciclo."

Os nomes dos envolvidos e da fábrica não foram divulgados. Por isso, o UOL não conseguiu acesso à defesa. O espaço segue aberto para manifestações.

Duas pessoas que consumiram bebidas da fábrica morreram

Suspeita-se que grupo seja responsável por vender bebida adulterada que matou dois homens, de 54 e 46 anos. Eles ingeriram a substância em um bar no bairro da Mooca, na zona leste de São Paulo. O produto falsificado causou intoxicação em pelo menos mais um homem. Ele está internado em estado grave em um hospital no bairro da Saúde, zona sul da capital.

A fábrica foi descoberta após depoimento do dono do bar na Mooca. Ele contou à polícia que comprou as bebidas em um local não autorizado e forneceu o endereço da distribuidora ilegal. Garrafas com até 45,1% de concentração de metanol na composição foram apreendidas durante uma vistoria no bar.

Intoxicações por metanol

Foram confirmados 41 casos de intoxicação por metanol no país. Segundo o último boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, outros 107 casos estão sob investigação e 469 foram descartados. Oito pessoas morreram. Do total de mortes por ingestão de bebidas falsificadas, seis foram no estado de São Paulo e duas em Pernambuco.

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