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Margareth Dalcolmo: "É inaceitável que vacinas não virão da China e Índia"

Durante o Prêmio Sebastião de Cultura 2020 na última terça (19), a médica capixaba se emocionou ao falar sobre o adiamento da previsão de entrega das primeiras doses da vacina de Oxford/AstraZeneca contra a Covid-19

Vitória
Publicado em 20/01/2021 às 16h31
Reprodução
Margareth Dalcolmo. Crédito: Reprodução

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) adiou na última terça-feira (19) a previsão de entrega das primeiras doses da vacina de Oxford/AstraZeneca, para combate à Covid-19, de fevereiro para março. O motivo do adiamento em um mês é o atraso na chegada do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), matéria-prima que vem da China. A situação resultou em um depoimento emocionado da capixaba Dra. Margareth Dalcolmo, pneumologista e pesquisadora da fundação, durante o Prêmio São Sebastião de Cultura 2020, que aconteceu no mesmo dia em que a informação do adiamento foi divulgada.

"Algumas notícias me chegaram agora e vou compartilhar... É um momento crucial (choro)... Isso me emociona porque fiquei surpresa, acho que agora é hora da sociedade brasileira mostrar realmente o que tenho tentado chamar como médica e cidadã de consciência cívica. É inaceitável que neste momento, no Brasil, nós tenhamos que acabar de receber a notícia de que as vacinas não virão da China e da Índia", disse.

Com a voz embargada, Margareth Dalcolmo lamenta e caracteriza como "injustificável" que o Brasil não receba os insumos no tempo estipulado anteriormente.

"Como capixaba, que nasci, o que justifica nesse momento que um país como Brasil — com a 9ª economia do mundo, não tenha a capacidade competitiva de servir com a obrigação para qual fomos formados, como médicos? O que justifica que o Brasil não tenha as vacinas disponíveis para a sua população? É injustificável. Nada pode justificar", completou.

Abaixo, assista um trecho do depoimento da pesquisadora ou clique aqui e veja na íntegra.

ATRASO DE INSUMOS

Com o atraso na chegada de insumos vindos da China, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) adiou de fevereiro para março a previsão de entrega das primeiras doses da vacina Oxford/AstraZeneca que serão produzidas no Brasil. A informação sobre a nova data está em ofício da Fiocruz encaminhado nesta terça-feira (19) ao Ministério Público Federal (MPF) ao qual o Estadão teve acesso. A mudança deve dificultar ainda mais a execução do plano nacional de imunização contra a Covid-19, que já sofre com incertezas quanto à importação dos insumos para a produção da Coronavac.

O MPF tem apurações abertas desde dezembro para acompanhamento das estratégias de vacinação contra a doença. No último dia 11, o órgão enviou ofício à presidência da Fiocruz com questionamentos sobre o cronograma de entrega tanto dos 2 milhões de doses prontas que serão importadas da Índia quanto do quantitativo que terá sua fabricação finalizada no Brasil pela Fiocruz, a partir da importação do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) de uma parceira da AstraZeneca na China.

No ofício de resposta, assinado pelo diretor do Instituto Biomanguinhos, Mauricio Zuma Medeiros, a Fiocruz informa que o primeiro lote do IFA tem chegada prevista para 23 de janeiro, "ainda aguardando confirmação", e que as primeiras doses produzidas com essa matéria-prima deverão ser entregues ao Ministério da Saúde somente no início de março. A Fiocruz justifica ser necessário mais de um mês para o fornecimento das doses pois, além do tempo de produção do imunizante a partir do IFA, as doses fabricadas nacionalmente precisarão passar por testes de qualidade que demorarão quase 20 dias.

"Estima-se que as primeiras doses da vacina sejam disponibilizadas ao Ministério da Saúde em início de março de 2021, partindo da premissa de que o produto final e o IFA apresentarão resultados de controle de qualidade satisfatórios, inclusive pelo INCQS (Instituto Nacional de Controle da Qualidade em Saúde). Importa mencionar que o período de testes, relativos ao controle de qualidade, está estimado em 17 dias, contados da finalização da respectiva etapa produtiva, acrescidos de mais 2 dias de análise pelo INCQS", disse a Fiocruz no ofício. Leia a reportagem na íntegra.

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