Publicado em 9 de abril de 2021 às 16:14
- Atualizado há 5 anos
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, reafirmou nesta sexta-feira (9) que não se vai se opor ao projeto de lei aprovado esta semana na Câmara dos Deputados, que permite a compra de vacinas por empresas privadas. >
"Vivemos em um regime democrático. Lei é lei. Todos temos que nos submeter ao regime da lei", disse Queiroga no Rio de Janeiro, em visita à Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). "Tenho convicção de que, desde que haja vacinas suficientes, temos condições de imunizar toda a sociedade brasileira".>
O projeto, que ainda depende de análise do Senado, autoriza a compra de imunizantes por empresários, individualmente ou por consórcio.>
Atualmente, todo o estoque do país é comprado pelo poder público e a aplicação das doses é feita por unidades do SUS (Sistema Único de Saúde), a partir de critérios de prioridade estabelecidos no PNI (Programa Nacional de Imunizações).>
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O ministro também falou sobre a suspensão da vacinação em diversas capitais, que alegam atraso no envio de doses pelo governo federal.>
"O ministério não tem vara de condão para resolver todos os problemas", afirmou. "Se eventualmente há um problema com um município, é por que essa logística precisa ser melhor coordenada. Não é só o Ministério da Saúde. São 5.574 municípios.">
Para Queiroga, a decretação de lockdown nos municípios depende de cada realidade e deve ser avaliada pelas administrações locais. "O que o ministério vai fazer é disciplinar um plano de transportes urbanos, incentivo à testagem, ao uso de máscara. As medidas mais extremas precisam ser tomadas com muita propriedade, até para ter o apoio da sociedade brasileira.">
Ao lado da presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, Queiroga visitou as instalações do laboratório responsável pela fabricação da vacina de Oxford/Astrazeneca.>
Contrária ao projeto de compra de vacinas por empresas, Trindade defende que a vacinação permaneça sob gerência exclusiva do PNI. "Conversei com o ministro sobre a importância de priorização da proteção tanto individual, dos grupos mais vulneráveis, quanto da proteção coletiva", afirmou a presidente.>
Esta semana, a Fiocruz anunciou que já opera com a produção diária de 900 mil doses do imunizante. O volume é pelo menos três vezes maior do que a capacidade de produção de março. Em abril, há expectativa de produção de 18,4 milhões de doses. Até julho, a Fiocruz espera já ter entregue 100,4 milhões de vacinas.>
A fundação agora trabalha para finalizar as adequações na planta do laboratório que será responsável pela fabricação própria do IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo), matéria-prima da vacina, que contém o vírus modificado e enfraquecido. Hoje o laboratório depende da importação do produto vindo da China.>
Segundo Nísia, os primeiros lotes da vacina feita integralmente no Brasil serão fabricados a partir de maio, mas apenas em setembro a Fiocruz será capaz de integrar as doses, já que a produção de um lote depende de várias de validação e testagem.>
"O IFA é fundamental para dar sustentação [à produção da vacina], até por que sabemos que a circulação do vírus deve continuar no país", afirmou Trindade.>
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