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Águas-vivas invadem praias do Rio de Janeiro e assustam banhistas

Somente na manhã desta terça-feira (2), um pescador da Colônia de Pesca Z-13, em Copacabana, tirou da rede mais de 30 águas-vivas gigantes

Publicado em 02/01/2018 às 16h26
Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Crédito:   Divulgação
Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Crédito: Divulgação

Sol forte, água do mar gelada, 1º dia do ano, tudo isso junto foi um convite a um mergulho no mar nas praias cariocas. Mas um animalzinho quase invisível pôs muita gente para sair do mar e pedir socorro, como aconteceu, por exemplo, num quiosque do Posto 11, em frente ao Hotel Marina: as águas-vivas, de variados tamanhos, invadiram as praias e estão assustando banhistas e atrapalhando o dia a dia de pescadores profissionais. Por volta das 15h do dia 1º, a publicitária Thaís Macedo, de 33 anos, sofreu uma queimadura no braço esquerdo ao esbarrar num desses animais na Praia do Leblon. Saiu rápido do mar e correu até o quiosque onde pediu um pouco de vinagre. O produto é recomendado por especialistas por que ameniza a dor da queimadura ao anular os efeitos das toxinas liberadas pela água viva.

"Estava no mar conversando com uma amiga quando senti uma queimadura no braço. Foi aí que percebi uma água viva bem perto. Em seguida, olhei em volta e notei várias outras. Estava cheio. Vi pessoas saindo do mar com receio de um acidente. Quando cheguei no quiosque para pedir um pouco de vinagre encontrei outra mulher que já havia sido queimada e estava passando o produto no machucado. Fiquei assustada. Não mergulhei novamente. Mas isso não me afastará do mar. Adoro praia!", contou Thaís.

Somente na manhã desta terça-feira (2), um pescador da Colônia de Pesca Z-13, em Copacabana, tirou da rede mais de 30 águas-vivas gigantes, semelhantes às que apareceram na Baía de Sepetiba, no fim do ano passado, identificadas como juba de leão, uma medusa venenosa. O pescador César Cardoso, de 42 anos, há 20 atuando como profissional, disse que o surgimento de tantas águas vivas no mar do Rio pode estar ligado às correntes marinhas. O curioso, segundo ele, é que os animais que ficam presos às redes de pesca estão sempre acompanhados por manjubinhas. Acostumado com águas-vivas nos verões, ele disse que é preciso ter cuidado ao manusear o animal que fica preso na rede de pesca.

"Hoje, pesquei a mais de 500 metros da orla de Ipanema. Havia muitas águas vivas grandes. Tinha muitas manjubinhas também. Hoje, o vento estava de Sul. Isso, aliado a correntes marinhas, pode ter contribuído para o surgimento de tantas águas-vivas. Elas atrapalham a pesca. Grudam nas redes. Mas é preciso retirar da rede com cuidado para não machucar os animais. Algumas delas morreram, mas a maioria voltou para o mar ilesa. Acho que um cardume gigante de águas-vivas está passando pelo Rio", disse Cardoso.

O tesoureiro da Colônia Z-13, José Manoel Pereira Rebouças, explicou que o surgimento de águas-vivas tem a ver com a temperatura da água e recomendou cuidado.

"Este ano, por exemplo, como as águas ficaram mais frias muito mais cedo, a gente tem presenciado um número de águas-vivas muito grande. Tem dias que a gente tem até dificuldade de locomover o nosso equipamento, que são as redes, por conta da grande quantidade de águas-vivas. É preciso ter muito cuidado por que elas queimam a pele da gente. Às vezes, até mesmo o respingo que acontece quando o pescador tenta tirar o animal da rede pode atingir um olho, um canto da pele mais frágil e acaba ferindo", alertou Manoel, que em dezembro teve mais de cem desses animais presos à sua rede de pesca.

Roberto Villaça, ecólogo marinho, coordenador do curso de Pós-graduação em Biologia Marinha e Ambientes Costeiros da UFF, explicou que há uma espécie de água-viva pequena muito encontrada próximo à faixa de areia das praias que pode estar sendo confundida com aquela que produz queimadura. Trata-se da espécie da família cterophora. As que têm sido vistas por pescadores podem ser da espécie lychnorhiza lucerna, que tem padrão diferente de coloração. Segundo o biólogo Sérgio Stampar, da Unesp, este tipo é inofensivo e causa no máximo urticária leve.

Nesta terça-feira, o vendedor Valmir Santos, de 57 anos, e o filho, Cássio Guilherme Ferreira, de 9, pegaram várias águas-vivas na Praia de Copacabana, ao lado do 3º Grupamento Marítimo do Corpo de Bombeiros. Segundo o Stampar, observando fotografias enviadas pelo GLOBO de Cássio segurando águas-vivas, o animal está despedeçado e para ser da espécie Chrysaora lactea, uma medusa.

"O mar está cheio delas. Parecem inofensivas, mas algumas que parecem estar vivas a gente está pegando com um tecido. Tem pequenas, grandes", contou Santos.

"Algumas pequenas que estão boiando estão mortas", disse Cássio.

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