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Verificação de fatos

Comprova deixa de usar etiquetas de falso e enganoso em checagens

Em teste desde o início de junho, projeto passou a adotar definitivamente uma série de mudanças no modo como investiga e reporta sobre desinformação

Publicado em 09 de Setembro de 2025 às 07:54

Redação de A Gazeta

Publicado em 

09 set 2025 às 07:54
O Comprova, iniciativa de checagens de fatos na qual A Gazeta faz parte, promoveu alterações no seu modo de tratar a desinformação, adotando uma abordagem mais ampla, deixando de ser um projeto contra a desinformação para ser um projeto colaborativo pela integridade da informação. E assim elevar a importância de conteúdos que tragam mais contexto a temas usados por atores maliciosos, que consigam se antecipar ao surgimento e disseminação de desinformação, que ajudem as pessoas a identificar conteúdos gerados por IA, o uso de táticas de persuasão e de ativação de algoritmos e, sobretudo, alcançar públicos avessos à checagem de fatos.
Depois de quatro meses de estudos, avaliações e testes, o Comprova adotou em definitivo uma série de mudanças para tornar a iniciativa colaborativa ainda mais transparente e empática com públicos que são resistentes à verificação.

A desinformação não está somente nos conteúdos

O Comprova monitora e verifica peças virais de desinformação sobre políticas públicas que são compartilhadas em plataformas sociais. Além disso, produz conteúdos explanatórios que visam se antecipar à circulação da desinformação ou fornecer mais contexto a temas que estejam sendo discutidos nessas plataformas e nos aplicativos de mensagem.
Essa abordagem, no entanto, estava muito focada nos conteúdos, deixando em segundo plano outros componentes essenciais de uma peça de desinformação.
Assim, desde o início de junho, verificações publicadas pelo Comprova investigam as evidências e alegações dos conteúdos virais, mas também quem são os criadores desses conteúdos e seus interesses, e quais as táticas utilizadas para persuadir as pessoas e levá-las a acreditar no que foi publicado. E aqui tentamos mostrar por que o conteúdo é convincente, por que podemos ter confiado em quem o publicou.
Exemplo da descrição das táticas usadas por desinformadores para tornar suas publicações convincentes Crédito: Projeto Comprova
Exemplo da descrição do criador do conteúdo investigado e seu contexto Crédito: Projeto Comprova

Títulos afirmativos da verdade

Outra mudança adotada pelo Comprova é o cuidado com a redação de seus títulos. Mesmo como negação de uma alegação falsa, um título pode amplificar a desinformação ao destacá-la. No Comprova estamos comprometidos com a redução do dano causado pela desinformação, procurando sempre que possível afirmar a verdade e evitar a reprodução das falsidades, mesmo quando tentamos negá-las.
Título que enfatiza a verdade Crédito: Projeto Comprova

Abolição das etiquetas de falso e enganoso

É sabido que há uma aversão natural das pessoas a conteúdos que contrariam suas crenças e sua visão de mundo e uma maior aceitação daqueles conteúdos que estão alinhados a sua maneira de pensar. O Comprova entende que o uso de etiquetas como falso ou enganoso coloca um obstáculo na necessária conexão entre a verificação e as audiências mais afetadas pela desinformação.
Queremos dar um passo adiante para que, em vez da aversão, tenhamos uma saudável fricção de ideias, um momento que sirva para confrontação de argumentos e que possibilite a aceitação das evidências e dos fatos. Em função disso, desde o início de junho o Comprova não tem mais usado as quatro etiquetas de falso, enganoso, sátira ou comprovado.

Golpes virtuais

Como parte das mudanças no Comprova, em 1º de abril começamos a publicação de verificações sobre golpes virtuais. Além de atender a uma demanda crescente por verificação, entendemos que abordar esse tipo de conteúdo, que afeta diretamente as pessoas, causando danos e prejuízos, é uma forma de difundir a cultura da verificação de fatos, dar transparência ao processo investigativo e gerar confiança na aplicação dos padrões de checagem.
Exemplo de verificação de golpes virtuais feita pelo Comprova Crédito: Projeto Comprova

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