Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 19:07
Ex-policial militar do Espírito Santo, a delegada Layla Lima Ayub foi presa nesta sexta-feira, 16, na zona oeste de São Paulo, por suspeita de envolvimento com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A reportagem tenta contato com a defesa. >
O portal da Transparência do Poder Executivo do Espírito Santo mostra que Layla trabalhou como policial militar entre os anos de 2014 e 2022. A reportagem de A Gazeta demandou a PM para saber das circunstâncias do desligamento — se a pedido ou outra motivação, mas ainda não houve retorno.>
Formada em Direito no Espírito Santo em 2016, Layla cursou pós-graduações em Direito Penal, Direito Constitucional, Docência no Ensino Superior, Gestão, Direito Processual Penal, Ciência Forense e Perícia Criminal. De acordo com o g1 SP, ela também atuou em varas especializadas em tráfico de drogas, homicídios e crimes de trânsito enquanto era estagiária da Defensoria Pública no Espírito Santo.
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A posse como delegada da Polícia Civil paulistana aconteceu no dia 19 de dezembro, em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, com a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).>
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Segundo apurou o Estadão, a etapa de avaliação social, onde é feita a análise da vida pregressa, ocorre antes da prova oral e é de responsabilidade da inteligência policial do Estado do candidato. No caso de Layla, não constava nada que a desabonasse. A reportagem tenta contato com a Polícia Civil do Espírito Santo. >
Depois que o candidato é oficialmente aprovado e empossado, ele passa por escrutínio da Polícia Civil - ou seja, durante três anos, todos ficam em um estágio probatório e podem ser investigados. >
A Corregedoria não revela a origem da investigação, mas afirma que, para além do relacionamento amoroso com um faccionado, descobriu a atuação da delegada como advogada de outro integrante do PCC no Pará, nove dias após a cerimônia de posse. >
Em entrevista coletiva sobre o caso, o secretário da Segurança Pública de São Paulo (SSP), Oswaldo Nico Gonçalves, negou que o processo seletivo tenha falhado. >
"Não falhou. Não tinha nenhum apontamento até então. (...) Eu não queria estar aqui neste momento, queria contar com mais uma aluna na academia, a gente está precisando de delegado, eu queria contar com isso. Mas a pessoa está em estágio probatório por três anos. Por três anos pode ser investigado.">
A Justiça determinou a prisão temporária de Layla e investiga o nível de envolvimento dela com a facção. Na decisão, o juiz aponta para a suspeita de que ela tenha entrado para a Civil a mando do PCC. >
"De fato, se comprovado que o PCC arregimentou a investigada para passar em um concurso público de delegada de Polícia, sobretudo no Estado mais populoso e com o maior quadro de policiais do País, pode-se afirmar, sem qualquer dúvida, que, se já não nos tornamos um narcoestado, estamos a poucos passos disso", afirmou o juiz na decisão.>
O corregedor geral da Polícia Civil, João Batista Palma Beolchi, disse nesta sexta (16), também em coletiva, que a investigação será extensa e irá comprovar se ela de fato prestou concurso a mando do PCC.>
"Realmente se trata de uma investigação. Ela que vai nos mostrar a real amplitude do nível de comprometimento dessa delegada. A investigação procede justamente para investigar essa dúvida. Mas há essa possibilidade.">
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