Publicado em 24 de julho de 2022 às 12:11
ANA LUIZA ALBUQUERQUE, FÁBIO ZANINI E MARIANNA HOLANDA >
A convenção nacional do PL oficializou, neste domingo (24), o presidente Jair Bolsonaro como candidato à reeleição e o ex-ministro da Defesa Braga Netto, a vice. Em discurso, o presidente convocou seus apoiadores a irem às ruas "uma última vez" no 7 de Setembro e, em seguida, dirigiu seus ataques a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). >
"Convoco todos vocês agora para que todo mundo, no 7 de Setembro, vá às ruas pela última vez. Vamos às ruas pela última vez", disse, aos gritos de "mito".>
Bolsonaristas têm buscado mobilizar uma espécie de grande ato de campanha no mesmo feriado em que, no ano passado, o presidente deu declarações golpistas e atacou a corte.>
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"Esses poucos surdos de capa preta têm que entender o que é a voz do povo. Têm que entender que quem faz as leis é o Poder Executivo e o Legislativo. Todos têm que jogar dentro das quatro linhas da Constituição. Isso interessa a todos nós", afirmou, em referência a ministros do STF.>
No início de seu discurso, o mandatário já tinha dado a deixa para que seus apoiadores atacassem os magistrados da corte.>
Bolsonaro afirmou que, sob seu governo, o povo tomou conhecimento sobre o que era o Supremo Tribunal Federal. Em seguida, abaixou o microfone e deixou que o público entoasse vaias e a palavra de ordem "Supremo é o povo".>
Em outro trecho de sua fala, o presidente voltou a uma metáfora que costuma fazer e chamou seus apoiadores de "exército". Jurou dar a vida pela liberdade e fez com que o público fizesse o mesmo juramento.>
"Esse, Braga Netto, é o nosso exército. É o exército do povo, o exército que está do nosso lado, que não admite corrupção, não admite fraude. Esse é o exército que quer transparência, quer respeito. Quer, não. Merece e vai ter", completou.>
Apesar de todos saberem da imprevisibilidade do presidente, seu entorno esperava que ele evitasse declarações radicais e ataques ao Supremo. Havia um temor de que ele falasse sobre urnas eletrônicas, o que não ocorreu, ainda que ele tenha mencionado a palavra "fraude", além de "eleições limpas".>
O discurso do chefe do Executivo durou pouco mais de uma hora. Com citações a Deus e críticas a comunismo, Bolsonaro também destacou feitos do seu governo, em especial para mulheres e jovens.>
Esses segmentos são os que têm maior rejeição ao presidente (61% e 60%, respectivamente). Por isso, a campanha esperava que o discurso de Bolsonaro seguisse nessa toada.>
O presidente destacou, como tem feito nos últimos dias, o fato de que a titulação de terras é feita em nome das mulheres. Apenas homens solteiros ou viúvos podem ter seus nomes no documento.>
Também se dirigiu aos jovens de esquerda: "Queria dizer para esses jovens que seu candidato prega o controle social da mídia", em referência a uma declaração de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de regulamentar as redes sociais.>
Bolsonaro ainda fez críticas veladas ao petista, sem nomeá-lo. Disse que o ex-presidente defende a "desconstrução da heteronormatividade" e a "ideologia de gênero", entre outras coisas.>
Em outro trecho, o chefe do Executivo defendeu papel dos militares no seu governo. "Falaram que botei muito militar [na administração]. Acho que não botei muito, acho que botei suficiente. Se fosse para botar bandido, vocês tinham votado em outro candidato", disse.>
Braga Netto, ex-ministro da Defesa e vice na chapa de Bolsonaro, esteve na primeira fileira no palco do evento do PL.>
"O vice é aquela pessoa que tem que estar ao seu lado nos momentos difíceis. Não pode ser aquela pessoa que conspire contra você. O vice é a solução para o problema e eu escolho, sim, um general do Exército brasileiro", disse Bolsonaro.>
O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, não participou da cerimônia. É candidato ao Senado pelo Rio Grande do Sul.>
O evento ocorreu no Maracanãzinho, tomado pelas cores verde e amarelo. Bolsonaro chegou ao local acompanhado da primeira-dama, Michelle, de Braga Netto e sua esposa.>
A cerimônia começou com uma oração do deputado federal e pastor Marco Feliciano (PL-SP).>
Depois, Michelle discursou. A primeira-dama atendeu a um apelo da campanha, que vem há meses pedindo para ela intensificar a participação nos atos como forma de melhorar a imagem do presidente juntos às mulheres.>
Michelle fez uma fala repleta de referências religiosas e mencionou, mais de uma vez, o atentado a Bolsonaro em 2018, em Juiz de Fora.>
"A reeleição não é por um projeto de poder, como muitos pensam, não é por status, porque é muito difícil estar desse lado, é por um propósito de libertação, é um propósito de cura para o nosso Brasil. Declaramos que o Brasil é do Senhor", disse Michelle.>
Ela também buscou destacar feitos do governo para as mulheres, como a sanção de leis para proteção do segmento feminino.>
"Esse é o presidente que falam que não gosta de mulheres. A diferença é que ele faz, ele não quer se promover. Nós não queremos nos promover, nós queremos fazer, entregar, e esse é nosso compromisso desde o dia 1º de janeiro de 2019", completou.>
Bolsonaro passou a discursar logo após a primeira-dama, tendo acenado a mulheres, atacado prefeitos e governadores por sua atuação na pandemia da Covid-19 e voltado a afirmar que não há corrupção no governo - essa era uma das principais bandeiras do chefe do Executivo.>
Após cerca de meia hora falando ao público, o mandatário passou a se dedicar à pauta de costumes e dirigiu seus ataques ao ex-presidente Lula. Para o presidente, o petista quer promover a "desconstrução da heteronormatividade" e a educação sexual dentro das escolas para estimular crianças "ao sexo".>
Bolsonaro ainda sugeriu que o pré-candidato do PT ao Palácio do Planalto pretende legalizar as drogas e o aborto no país e ouviu o público cantar "Lula, ladrão, seu lugar é na prisão".>
Em referência a falas de Lula, o presidente da República também abordou a regulamentação da mídia e sugeriu que seus opositores querem controlar as mídias sociais no país, a exemplo de Cuba e Coreia do Norte.>
"Tenho dito que tem algo mais importante que a vida, que é a nossa liberdade. Quero me dirigir ao jovem de esquerda que acena ao outro lado. Esse jovem de esquerda tem um telefone celular, e queria dizer para esse jovem que seu candidato prega o controle social da mídia", afirmou.>
"Mesmo sendo injusta na maioria das vezes, pior que uma imprensa trabalhando mal, é uma imprensa fechada. Jamais defenderei o fechamento da mídia no Brasil", seguiu.>
Atrás do palco, havia uma imagem da bandeira do Brasil, foto do presidente com apoiadores e o slogan "Pelo bem do Brasil".>
A frase é da coligação da chapa de Bolsonaro e tem como mote a tese da "luta do bem contra o mal", que o mandatário tenta imprimir à eleição deste ano na disputa contra o petista.>
O estádio tem capacidade para 11,8 mil pessoas. Marcaram presença no palco candidatos, parlamentares e aliados, como o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que foi ovacionado por bolsonaristas e pelo próprio presidente da República.>
O evento do PL ocorre a menos de três meses da eleição. O chefe do Executivo está em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, atrás do ex-presidente Lula (PT).>
Levantamento do Datafolha do final de junho mostra o petista 19 pontos à frente de Bolsonaro, marcando 47% contra 28%, no primeiro turno.>
Entre os aliados que subiram ao palco estavam o presidente da Câmara, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), candidato de Bolsonaro no estado; o ministro Marcelo Queiroga, da Saúde; Ciro Nogueira, da Casa Civil; Fábio Faria, das Comunicações; Anderson Torres, da Justiça e Segurança Pública; e Victor Godoy, da Educação.>
Quando as autoridades subiam ao palco, tocava o efeito sonoro da urna eletrônica.>
Também estiveram por lá o ex-ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas, que disputará o Governo de São Paulo; o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello; a ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina; o advogado da família Bolsonaro, Frederick Wassef; e os deputados federais Hélio Lopes, Bia Kicis e Carla Zambelli.>
Um dos políticos mais aplaudidos pelos presentes foi o deputado federal Daniel Silveira, condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a 8 anos e 9 meses de prisão, em regime inicial fechado, por ataques aos ministros da corte. Um dia depois, no entanto, recebeu um indulto de Bolsonaro.>
No início da semana, opositores se mobilizaram para resgatar ingressos e esvaziar o evento de Bolsonaro. A movimentação levou a campanha a fazer um pente fino e cancelar inscrições. Segundo interlocutores, o TSE será acionado para apurar o episódio.>
A cerimônia contou com a apresentação da dupla sertaneja Mateus e Cristiano, que cantou o hino nacional e o jingle da campanha, "capitão do povo".>
"É o capitão do povo que vai vencer de novo / Ele é de Deus, e pode confiar / Defende a família e não vai te enganar", diz estrofe da canção. Bolsonaro tem forte identificação com o público sertanejo.>
Ficou responsável pela apresentação do evento deste domingo um locutor de rodeio, o mesmo que atuou no encontro nacional do partido, em março, Carlos Rudiney.>
Centenas de apoiadores vestindo camisas do Brasil e carregando a bandeira nacional aguardavam em filas para entrar no local do evento. Um grande grupo assobiou e aplaudiu para a passagem de uma equipe de policiais militares.>
Ambulantes vendiam uma camisa com referência ao artigo 142 da Constituição Federal, que disciplina o papel dos militares e é usado por bolsonaristas como argumento para defender que existe previsão legal para intervenção militar no país.>
A tese é repudiada por instituições como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e a Câmara dos Deputados.>
Em reunião ministerial em abril de 2020, Bolsonaro fez menção ao artigo para defender a hipótese. "Todo mundo quer cumprir o artigo 142. E, havendo necessidade, qualquer dos Poderes pode, né? Pedir às Forças Armadas que intervenham para reestabelecer a ordem no Brasil", disse.>
Na camisa vendida neste domingo também foram grafados os dizeres: "Voto impresso auditável: eu apoio!". A pauta é utilizada pelo presidente Jair Bolsonaro para mobilizar apoiadores em torno de discursos de tom golpista contra as eleições.>
Dentro do estádio, um cartaz levado por apoiador do presidente fazia menção à cantora Anitta, que declarou voto em Lula. A campanha de Bolsonaro tem tentado minimizar a relevância do apoio da artista ao seu maior adversário.>
"Obrigado Anitta por ser a melhor cabo eleitoral do Bolsonaro de todos os tempos", dizia o cartaz.>
A campanha começa, oficialmente, na segunda metade de agosto. No início do ano, a filiação do presidente já teve clima de comício, ainda que não tenha mencionado sua candidatura, por orientação jurídica.>
Na ocasião, além de trazer a ideia de luta do bem contra o mal, em uma referência ao PT, também falou sobre liberdade e "jogar nas quatro linhas [da Constituição]".>
Presidente: Luiz Inácio Lula da Silva (PT)>
Vice: Geraldo Alckmin (PSB)>
Coligação: PT, PSB, PSOL, Rede, PC do B, PV e Solidariedade>
Convenção realizada no dia 21/7>
Presidente: Jair Bolsonaro (PL)>
Vice: Walter Braga Netto (PL)>
Coligação: PL, PP, Republicanos e PTB>
Convenção realizada no dia 24/7>
Presidente: Ciro Gomes (PDT)>
Vice: não anunciado>
Coligação: sem coligação>
Convenção realizada no dia 20/7>
Presidente: André Janones (Avante)>
Vice: não anunciado>
Coligação: sem coligação>
Convenção realizada no dia 23/7>
Presidente: Leonardo Péricles (UP)>
Vice: Samara Martins (UP)>
Coligação: sem coligação>
Convenção: realizada no dia 24/7>
Presidente: Simone Tebet (MDB)>
Vice: não anunciado>
Coligação: MDB, PSDB e Cidadania>
Convenção: marcada para o dia 27/7>
Presidente Luciano Bivar (União Brasil)>
Vice: não anunciado>
Coligação: sem coligação>
Convenção: marcada para o dia 5/8>
Presidente: Felipe d'Ávila (Novo)>
Vice: Tiago Mitraud>
Coligação: sem coligação>
Convenção: marcada para o dia 30/7>
Presidente: Pablo Marçal (Pros)>
Vice: não anunciado>
Coligação: sem coligação>
Convenção: marcada para o dia 31/7>
Presidente: Carlos Alberto Santos Cruz (Podemos)>
Vice: não foi anunciado>
Coligação: sem coligação>
Convenção: não informada>
Presidente: José Maria Eymael (Democracia Cristã)>
Vice: não foi anunciado>
Coligação: sem coligação>
Convenção: marcada para o dia 31/7>
Presidente: Vera Lúcia (PSTU)>
Vice: Raquel Tremembé>
Coligação: sem coligação>
Convenção: marcada para o dia 31/7>
Presidente: Sofia Manzano (PCB)>
Vice: não foi anunciado>
Coligação: sem coligação>
Convenção: marcada para o dia 30/7>
Convenções partidárias: 20.jul a 5.ago>
Início oficial da campanha: 16.ago>
Propaganda eleitoral no rádio e na TV: 26.ago a 29.set>
Primeiro turno: 2.out>
Segundo turno: 30.out>
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