Publicado em 9 de janeiro de 2021 às 12:44
- Atualizado há 5 anos
Durante reunião na tarde desta sexta-feira (8), com o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) confirmou que rompeu sua neutralidade na eleição para a presidência do Senado e que vai apoiar Rodrigo Pacheco (DEM-MG). >
Pacheco é apadrinhado pelo atual presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), que se engajou na candidatura e inclusive havia levado o parlamentar mineiro para um almoço com o presidente no Palácio da Alvorada, no fim do ano.>
O encontro desta tarde havia sido pedido por Bezerra, que transmitiria a insatisfação da bancada do MDB com a postura de Bolsonaro. Apesar de ter declarado neutralidade, o presidente estaria sendo leniente com Alcolumbre e Pacheco. Os dois senadores estariam usando a influência do governo nas negociações.>
Interlocutores afirmam que os dois senadores do DEM chegaram a discutir a possibilidade de levar demandas de ministérios a Bolsonaro nas negociações.>
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Duas fontes na bancada do MDB confirmaram que Bolsonaro afirmou claramente para Bezerra que Pacheco era seu candidato na disputa do Senado. Bezerra tentou argumentar defendendo a regra da proporcionalidade, segundo a qual a maior bancada teria direito à presidência.>
Além disso, Bezerra afirmou que a bancada do MDB vai aumentar no início da próxima semana –provavelmente com a filiação de Veneziano Vital do Rego (PSB-PB) e Rose de Freitas (Podemos-ES)– e que já há acerto com PSDB e Podemos. Bezerra afirmou que as contas do MDB, com mais senadores avulsos, indicam 37 votos. Bolsonaro teria apenas dito que não mudaria sua posição.>
A decisão do presidente praticamente tira da disputa os dois líderes do governo, no Senado e no Congresso, respectivamente Bezerra e Eduardo Gomes (TO), que eram pré-candidatos do MDB.>
Fontes afirmam que Bezerra já teria indicado a interlocutores que vai abdicar da pré-candidatura nos próximos dias.>
Ganham força, por outro lado, os outros dois pré-candidatos, o líder da bancada, Eduardo Braga (MDB-AM); e a presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), Simone Tebet (MDB-MS), considerada mais independente.>
Tebet tem grandes chances de receber os votos do movimento suprapartidário Muda Senado. Por outro lado, Braga é o único do MDB com entrada nos partidos de esquerda, como o PT.>
A bancada petista, por sinal, deve passar por uma reviravolta nos próximos dias. O partido esteve muito perto de um acerto para apoiar Pacheco, após uma intermediação de Alcolumbre com o líder da sigla, Rogério Carvalho (PT-SE).>
A pedido de Alcolumbre, a bancada chegou a antecipar para quinta-feira (7) uma reunião, na qual se esperava anunciar o apoio para Pacheco. No entanto, alguns senadores petistas, após serem contatados, decidiram se reunir também com Braga antes de tomar uma decisão.>
Em encontro virtual na manhã desta sexta, Braga teria dito claramente aos petistas que estava claro que Pacheco era o candidato de Bolsonaro.>
Agora, com a oficialização, o apoio a Pacheco se torna praticamente inviável. A bancada do PT vai se reunir na próxima segunda-feira (11) para decidir sua posição.>
Um dos sinais mais claros da aproximação do Planalto com Pacheco aconteceu também na manhã desta sexta, quando o Republicanos anunciou apoio ao senador mineiro. O Republicanos é o partido de Flávio Bolsonaro (RJ), filho mais velho do presidente da República.>
"O líder da bancada do Republicanos no Senado Federal, senador Mecias de Jesus, após ouvir a bancada, declara apoio à candidatura do senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para a presidência do Senado Federal", informou nota da liderança da bancada.>
"O Republicanos acredita que o senador Rodrigo Pacheco tem o preparo necessário para conduzir os trabalhos da Casa, com coerência e determinação e que, de forma conciliadora, saberá lidar com as demais instituições sempre com respeito a Constituição Federal", completa o texto.>
Desconsiderando possíveis traições, Pacheco conta agora com o apoio de quatro bancadas, que reúnem 22 senadores. São necessários 41 votos para vencer a disputa, caso todos os senadores compareçam para votar no dia 1º de fevereiro.>
O apoio mais impactante ao longo da semana foi da bancada do PSD, segunda maior do Senado, com 11 senadores. Na terça-feira (5), após uma reunião na residência do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), foi fechado o acordo, depois ratificado em reunião virtual da bancada.>
No dia seguinte, o PROS também aderiu à candidatura de Pacheco, assim como já havia feito o DEM, seu partido.>
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