O tarifaço americano voltou ao centro do debate. Nos últimos meses, discutiu-se se as tarifas protegeriam empregos ou apenas encareceriam a economia. A decisão recente da Suprema Corte dos Estados Unidos impôs limites importantes a essa estratégia. A questão agora é entender seus efeitos econômicos e o grau de incerteza que ainda persiste.
Em primeiro lugar, é preciso delimitar o alcance da decisão. A Corte derrubou as tarifas baseadas na lei de emergência, mas manteve as justificadas por segurança nacional, como as aplicadas a aço e alumínio. Parte das sobretaxas já havia sido revista nos últimos meses, e o governo sinalizou que pode adotar novos instrumentos, como uma tarifa geral de 15%, anunciada no sábado. O impacto, portanto, não é uniforme entre setores.
Apesar da indefinição jurídica, a maior preocupação para os americanos é o efeito sobre preços e custo de vida. Tarifas funcionam como um imposto sobre importações e tendem a ser repassadas ao consumidor. Estudo do Federal Reserve Bank of New York estimou que cerca de 90% desse custo foi absorvido por empresas e famílias. Ao restringir esse instrumento, o tribunal tende a aliviar parte da pressão inflacionária, ainda que o ajuste não seja imediato.
O Brasil aparece entre os países mais favorecidos pelas mudanças recentes nas tarifas, segundo o Global Trade Alert. No Espírito Santo, porém, os efeitos variam por produto. Produtos siderúrgicos, como o aço, continuam sujeitos a tarifas associadas à segurança nacional. Café e celulose, que já não estavam sujeitos às sobretaxas mais elevadas, tendem a enfrentar aumento com tarifa global de 15%. Nas rochas ornamentais, o impacto em algumas categorias (como granito trabalhado) terá alívio; onde já havia exceção, a situação pode piorar.
Do ponto de vista institucional, o caso também deixa uma lição. O tribunal impôs limites ao uso unilateral da política tarifária e reafirmou a competência do Congresso. Esse movimento fortalece os freios e contrapesos da democracia americana. Ao mesmo tempo, o embate entre Executivo e Judiciário amplia a incerteza regulatória. Quando regras podem ser alteradas ou revertidas em curto espaço de tempo, decisões de investimento tornam-se mais cautelosas, com impacto direto sobre a atividade nos Estados Unidos.
Mais do que um capítulo jurídico, o episódio revela os limites do protecionismo como estratégia de desenvolvimento. As tarifas foram vendidas como defesa da indústria nacional. Na prática, operaram como imposto amplo, elevaram preços e reduziram eficiência. Além de encarecer a economia, deixaram marcas na credibilidade e na previsibilidade que sustentam a prosperidade americana.
Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta.