Publicado em 21 de fevereiro de 2026 às 17:12
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (21/2) que elevará as tarifas globais de importação para 15%.>
O anúncio foi feito em uma postagem na Truth Social, menos de 24 horas após informar que usaria um novo instrumento legal para aplicar uma tarifa de 10% sobre produtos importados, com efeito imediato.>
Trump introduziu tarifas sobre produtos que entram nos Estados Unidos provenientes da maioria dos países do mundo.>
O presidente americano argumenta que os impostos vão impulsionar a indústria doméstica e criar empregos. Críticos, porém, alertam para aumento de preços ao consumidor e impactos negativos sobre a economia global.>
>
Na sexta-feira (20/2), a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou algumas das tarifas mais significativas, impostas no ano passado.>
A Corte decidiu que Trump excedeu sua autoridade ao usar poderes de emergência para implementá-las contra dezenas de parceiros comerciais globais.>
Por 6 votos a 3, os ministros concluíram que o presidente não poderia usar uma lei de 1977 — a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) — para cobrar impostos sobre importações de praticamente todos os países do mundo.>
A decisão deixou em aberto a possibilidade de que consumidores e empresas recebam reembolsos dos cerca de US$ 130 bilhões gerados pelas tarifas — questão sobre a qual a Suprema Corte não se pronunciou e que pode resultar em nova disputa judicial.>
Horas após a divulgação do julgamento, Trump afirmou que substituirá essas medidas por uma tarifa global de 15%, com base em outra legislação.>
Ele assinou uma proclamação com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que lhe permite impor uma nova tarifa temporária de 10% sobre produtos de todos os países.>
Neste sábado, Trump publicou nas redes sociais que elevaria essas novas tarifas para 15%.>
Veja o que se sabe sobre os próximos passos e as questões ainda em aberto.>
Tarifas são impostos sobre bens importados. Normalmente, correspondem a uma porcentagem do valor do produto. Por exemplo, uma tarifa de 10% sobre um produto de US$ 10 implica um imposto adicional de US$ 1 — elevando o custo total para US$ 11.>
O imposto é pago ao governo pelas empresas que importam produtos estrangeiros. Essas companhias podem repassar parte ou a totalidade do custo adicional aos clientes — consumidores americanos e outras empresas nos EUA. Também podem optar por importar menos mercadorias.>
Trump afirma que as tarifas aumentam a arrecadação do governo, incentivam o consumo de produtos fabricados nos EUA e estimulam investimentos no país.>
Ele quer reduzir o déficit comercial dos Estados Unidos (a diferença entre o valor das importações e o das exportações). O presidente sustenta que o país foi explorado por "trapaceiros" e "saqueado" por estrangeiros.>
Trump também utilizou as tarifas como instrumento de pressão política. Ao anunciar tarifas contra China, México e Canadá, afirmou que esses países precisariam fazer mais para conter migrantes e o tráfico ilegal de fentanil rumo aos EUA.>
Também ameaçou impor tarifas adicionais de 10% a oito países europeus que se opuseram a seus planos de assumir o controle da Groenlândia, antes de recuar. Algumas tarifas foram alteradas, adiadas ou revogadas após o anúncio.>
A decisão da Suprema Corte, divulgada em 20 de fevereiro, diz respeito apenas às tarifas instituídas com base na IEEPA, que concede ao presidente o poder de regular o comércio em resposta a uma emergência.>
Trump recorreu à lei pela primeira vez em fevereiro de 2025 para taxar produtos da China, do México e do Canadá, alegando que o tráfico de fentanil proveniente desses países configurava uma emergência.>
Meses depois, no que chamou de "Dia da Libertação", impôs tarifas entre 10% e 50% sobre produtos de quase todos os países do mundo. Nesse caso, afirmou que o déficit comercial dos Estados Unidos — quando o país importa mais do que exporta — representava uma "ameaça extraordinária e incomum".>
A Corte afirmou que cabe ao Congresso dos Estados Unidos — e não ao presidente — criar novos impostos, e que a regulação com base na IEEPA não envolve arrecadação de receitas.>
Ainda assim, várias tarifas impostas no último ano não estavam vinculadas às emergências declaradas sob a IEEPA e podem permanecer em vigor.>
Isso inclui tarifas setoriais sobre aço, alumínio, madeira e automóveis, implementadas com base na Seção 232 da Lei de Expansão do Comércio de 1962, sob o argumento de segurança nacional.>
Após a decisão da Suprema Corte, Trump emitiu uma proclamação para impor uma tarifa global de 10% sobre quase todas as importações para os Estados Unidos, com base na Seção 122, dispositivo até então nunca utilizado.>
No sábado, afirmou que elevaria a tarifa global para 15%.>
A Seção 122 permite impor tarifas de até 15% por 150 dias, após os quais o Congresso deve intervir.>
Há, porém, a possibilidade de contornar o Legislativo. A Seção 122 não proíbe expressamente que o presidente deixe as tarifas expirarem após 150 dias e, em seguida, declare uma nova emergência para restabelecê-las, segundo o Cato Institute.>
Segundo a Casa Branca, Trump está usando a Seção 122 "para enfrentar problemas fundamentais de pagamentos internacionais" e reequilibrar o comércio americano, além de avaliar se pode impor tarifas com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.>
Essa legislação permite ao Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), atualmente ocupado por Jamieson Greer, investigar práticas comerciais de outros países e impor tarifas ao concluir que são "discriminatórias" ou "desleais".>
A administração também pode continuar a impor tarifas com base na Seção 232.>
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que a combinação das tarifas deve manter a arrecadação praticamente inalterada em 2026, compensando a perda das tarifas baseadas na IEEPA.>
Um dos argumentos de Trump é que as tarifas reforçam o Tesouro americano. Segundo estimativas, o governo arrecadou cerca de US$ 130 bilhões (£96 bilhões) com as tarifas consideradas ilegais.>
A Suprema Corte não determinou se o governo deverá devolver esses valores. Trump afirmou que eventuais reembolsos podem ficar travados na Justiça por anos. Bessent disse que a questão pode se arrastar.>
A expectativa é que o tema seja decidido pelo tribunal de comércio internacional dos EUA.>
Especialistas afirmam que, se houver devolução, empresas de maior porte tendem a ser as principais beneficiadas.>
Alex Jacquez, diretor de políticas públicas do Groundwork Collective, centro de estudos de orientação liberal, disse à CBS, parceira da BBC, que mais de 1.000 empresas já haviam solicitado reembolso de tarifas antes da decisão.>
Segundo ele, esse número tende a crescer.>
O governador democrata de Illinois, JB Pritzker, também pediu que a Casa Branca emitisse um cheque de reembolso de US$ 1.700 para cada família americana em razão das tarifas ilegais.>
Em diversas ocasiões, Trump chegou a mencionar publicamente a possibilidade de enviar cheques de restituição de tarifas aos americanos.>
As novas tarifas deveriam passar a valer em 24 de fevereiro, às 0h01 (horário do Leste dos EUA).>
Um funcionário da Casa Branca disse à BBC que países que firmaram acordos comerciais com os Estados Unidos — incluindo Reino Unido, Índia e União Europeia — também estarão sujeitos à tarifa global sob a Seção 122, e não às alíquotas previamente negociadas.>
Alguns produtos serão isentos por razões econômicas ou estratégicas. As isenções incluem determinados minerais críticos, metais, produtos energéticos, recursos naturais, culturas agrícolas, medicamentos, eletrônicos, automóveis, caminhões e produtos aeroespaciais.>
Também não serão taxados "materiais informativos (como livros), doações e bagagens acompanhadas".>
Produtos abrangidos pelo USMCA — acordo entre EUA, México e Canadá — permanecem isentos. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, tem afirmado que o Canadá está entre os países com menor carga tarifária devido ao acordo.>
Trump também manteve o fim da chamada isenção de minimis, que permitia a entrada nos EUA de mercadorias de até US$ 800 sem cobrança de tarifas.>
Em abril de 2025, ao anunciar o que chamou de "tarifas recíprocas" no que batizou de "Dia da Libertação", Trump aplicou uma taxa de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA — então o menor patamar aplicado aos países afetados.>
Em julho, no entanto, o republicano impôs ao Brasil um novo tarifaço de 40%, elevando a alíquota total para 50%, numa tentativa de influenciar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado.>
A medida, no entanto, veio acompanhada de uma extensa lista de exceções, que deixou de fora da alíquota adicional de 40% itens como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos e autopeças, fertilizantes e produtos do setor energético. A taxação entrou em vigor em 6 de agosto.>
Em novembro, após Bolsonaro ter sido condenado em setembro a 27 anos de prisão em regime inicial fechado, os EUA retiraram a tarifa de 40% de novos itens, incluindo café, carnes e frutas.>
A decisão foi tomada após Trump iniciar negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), meses após elogiar o brasileiro em discurso na ONU.>
Na prática, a decisão da Suprema Corte nesta sexta-feira derruba as tarifas de 10% ou mais que vinham sendo aplicadas desde abril de 2025 à maioria dos parceiros comerciais dos Estados Unidos — incluindo os 10% impostos então ao Brasil.>
No entanto, não são afetadas as tarifas específicas sobre importações de aço e alumínio, que também incluem produtos brasileiros.>
Ainda não está claro como a nova tarifa global de 15% anunciada por Trump nesta sexta irá afetar as exportações brasileiras aos Estados Unidos.>
Com informações de Grace Eliza Goodwin e Jennifer Clarke, da BBC News>
>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta