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Setor florestal é essencial para a economia do ES e não pode ser alvo de criminosos

A Findes reconhece os esforços empregados pelas autoridades, mas frisa que o combate às práticas criminosas deve ser perene, não deixando margem para que bandidos atuem livremente e desorganizem o nosso ecossistema produtivo

Publicado em 15/10/2021 às 02h00
Ocupação em áreas de eucalipto da Suzano em municípios do norte capixaba
Ocupação em áreas de eucalipto da Suzano em municípios do Norte capixaba. Crédito: Vitor Jubini

Responsável por 30% do PIB do agronegócio capixaba e por 7,5% do PIB estadual, o setor de base florestal do Espírito Santo tem importante papel na economia e no desenvolvimento local.

Com cerca de 330 mil hectares de florestas cultivadas, a maior parte delas concentradas nos municípios de São MateusConceição da Barra Aracruz, a silvicultura faz parte de uma extensa cadeia produtiva. Ela envolve a indústria moveleira, a de celulose, a siderúrgica, a de cerâmica, a da construção civil e a de logística, sendo usada na acomodação de cargas.

Também é a partir das florestas econômicas que são produzidos o carvão vegetal, os pellets e os cavacos, usados por exemplo nas granjas de frango de corte. A madeira cultivada no Estado serve ainda como uma espécie de combustível na secagem de produtos agrícolas, como café, cultura tão relevante para a economia capixaba.

Estamos falando de um setor que gera 80 mil empregos diretos e indiretos, envolve em torno de 30 mil propriedades rurais como fomentados e produtores independentes e responde por 60% do valor de exportação do agro capixaba, segundo dados do Centro de Desenvolvimento do Agronegócio (Cedagro).

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Mesmo diante de toda essa capacidade de geração de riquezas e de oportunidades, existem ameaças, especialmente na região Norte do Espírito Santo, que podem interromper a trajetória de crescimento e comprometer a sustentabilidade deste importante elo da nossa economia.

aumento do registro de ocorrências ligadas a práticas criminosas como incêndios, roubo de madeiras e invasões de terras acende o alerta para os impactos que ações ilegais como essas podem ter sobre a cadeia produtiva, sobre a renda de milhares de famílias capixabas, sobre a receita dos municípios, sobre o meio ambiente e ainda sobre a imagem do Espírito Santo mundo afora.

Conforme divulgado por A Gazeta, mais de 2,5 mil focos de incêndio foram identificados em plantações e reservas florestais de janeiro a agosto deste ano. Isso apenas considerando os registros feitos pela indústria de celulose, uma das grandes afetadas pela ação dos criminosos, que devastaram mais de 5,3 mil hectares de florestas, o equivalente a uma área da ordem de 7.500 campos de futebol.

Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) enxerga esse cenário com muita preocupação. Trata-se de um prejuízo na casa dos milhões de reais e que tem reflexo muito além das perdas financeiras.

A notícia de que as queimadas, os roubos e as invasões se multiplicaram em 2021 expõe o ambiente de negócios local, que há anos vem sendo construído a muitas mãos, tijolo por tijolo, para alcançar posição de destaque no país e no mundo.

Não podemos deixar espaço para que criminosos se sintam à vontade com a impunidade e continuem atuando e prejudicando a nossa economia e a nossa reputação. A perda do controle pela segurança das nossas florestas pode nos levar à perda de investimentos, de oportunidades, de competitividade e de desenvolvimento econômico e social.

Ações conjuntas realizadas recentemente entre a Delegacia de Polícia de Conceição da Barra, o Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) e o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf) já trouxeram alguns resultados importantes no combate à fabricação e distribuição de carvão clandestino, que tem ligação direta com as queimadas criminosas de eucalipto na região Norte do Estado.

A Findes reconhece os esforços empregados pelas autoridades, mas frisa que o combate às práticas criminosas deve ser perene, não deixando margem para que bandidos atuem livremente e desorganizem o nosso ecossistema produtivo.

Aliás, a iniciativa feita de forma coordenada pelas forças de segurança do Espírito Santo pode ser, inclusive, o embrião para a criação de uma força-tarefa capaz de desarticular crimes dessa natureza. Uma mobilização com os principais atores do Estado e planejada a partir de estratégias integradas tende a trazer resultados muito eficazes.

Somos um dos maiores produtores de celulose do mundo e temos no Estado o principal porto especializado no embarque desse produto. Está aqui no Espírito Santo a Placas do Brasil, fábrica de painéis de MDF que atende indústrias em âmbito regional e nacional. O polo moveleiro de Linhares é um dos maiores na produção de móveis seriados do país. Produzimos a biomassa de madeira que é combustível fundamental para a operação de diversas das nossas indústrias.

E de onde vem a matéria-prima para tudo isso? Das nossas florestas! Portanto, cuidar bem da base florestal é cuidar de um arranjo produtivo diversificado e capaz de gerar muitas riquezas para o Estado e para o país. A Findes acredita no potencial capixaba e no compromisso de todos os setores da sociedade para que juntos façamos o Espírito Santo crescer cada vez mais!

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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