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É diretor-superintendente da Ecovias Capixaba

Segurança nas rodovias no Brasil: a contribuição dos trechos sob concessão privada

Rodovias concedidas, como o trecho da BR 101 sob gestão da Ecovias Capixaba, têm investimento contínuo em infraestrutura e serviços operacionais, o que reduz a incidência e a severidade dos acidentes

  • Roberto Amorim É diretor-superintendente da Ecovias Capixaba
Publicado em 28/12/2025 às 10h00

Estudos da Fundação Dom Cabral (FDC), com base em dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), reunidos na recém-lançada Plataforma de Infraestrutura em Logística de Transporte (Pilt) mostram que, embora acidentes ocorram em toda a malha federal, nos trechos de rodovia concedidos à iniciativa privada as taxas e a severidade são menores, e o percentual de mortos também é inferior àqueles sob gestão pública.

No tabuleiro nacional, a BR 101 — segunda mais extensa do país — corta 12 estados ao longo de mais de 4.650 km; sendo que o segmento capixaba representa pouco mais de 10% desse eixo. Apesar de a BR 101 figurar entre as rodovias com mais acidentes em números absolutos, o trecho que cruza o Espírito Santo apresenta indicadores de severidade significativamente mais baixos.

Tudo isso ocorre num país fortemente rodoviário: as estradas respondem por, aproximadamente, 62% do transporte de cargas, frente a uma malha ferroviária muito menor, o que torna desafiadora a gestão da segurança viária — especialmente diante da imprudência de condutores. Para se ter uma ideia, a rede rodoviária brasileira soma 195,2 mil quilômetros de vias, ante 19,7 mil quilômetros da ferroviária, o segundo modal mais utilizado em nosso país.

O estudo da FDC/PILT analisou 377.800 acidentes entre 2018 e 2023 e comparou redes públicas e concedidas a partir de três métricas: número absoluto, Taxa de Acidentes (TAc) — frequência de acidentes ajustada pelo Volume Médio Diário Anual (VMDA), ou seja, pelo fluxo de veículos na rodovia; e Taxa de Severidade (TSAc) — ponderada por gravidade, englobando fatores como número de mortos e feridos graves, também ajustada pelo VMDA.

Em números absolutos, as rodovias públicas concentraram 56,6% das ocorrências (ante 43,4% nas concedidas) entre 2018 e 2021 e 53,7% entre 2022 e 2023. Mas a diferença fica ainda mais clara nos indicadores ajustados: TAc nas públicas chega a 79,7% (contra 20,3% nas concedidas), e a TSAc a 80,4% (ante 19,6% nas concedidas), se considerado o período de 2018-2021. Em síntese, o risco em rodovias públicas é cerca de quatro vezes maior que nas concedidas.

Atualizações de 2023 reforçam o quadro: dos 65.176 acidentes registrados, 34.650 ocorreram em trechos públicos e 30.526 em concessões; mesmo com flutuações nos números absolutos, as taxas e a gravidade continuam maiores na rede pública. O motivo? A FDC aponta investimentos mais robustos e regulares em segurança viária nas concessões (sinalização, conservação, monitoramento), além de programas e metas contratuais que sustentam a performance — enquanto trechos sob gestão direta convivem com restrições orçamentárias e ciclos de manutenção mais irregulares.

Ainda que a BR 101 esteja entre as rodovias com maior volume de acidentes - pelo seu papel longitudinal e tráfego intenso-, o trecho capixaba apresenta menor severidade relativa quando comparado a segmentos mais críticos em outros estados — um resultado coerente com investimentos recentes em sinalização, atendimento e gestão operacional e com a própria dinâmica do tráfego regional.

Ou seja, o Espírito Santo não figura entre os estados com maiores taxas ajustadas de severidade na malha federal; em particular, dentro da BR 101, o segmento capixaba aparece entre os menos severos, apesar de a rodovia, como um todo, somar alto número de ocorrências por extensão e volume.

Rodovias concedidas, como o trecho da BR 101 sob gestão da Ecovias Capixaba, possuem investimento contínuo em infraestrutura e serviços operacionais (bases de atendimento, monitoramento, sinalização inteligente), o que reduz a incidência e a severidade dos acidentes. O desafio continua sendo integrar tais obras estruturantes com programas voltados a fomentar o comportamento seguro, a fim de mitigar os riscos de sinistros.

A duplicação da BR-101 mobiliza centenas de trabalhadores e profissionais de diferentes áreas.
BR 101. Crédito: Ecovias Capixaba/Divulgação

Os dados são claros: onde há gestão, metas e investimento recorrente, há menos acidentes e menor severidade. A BR 101, por sua extensão e papel no país, combina tráfego elevado com realidades distintas por estado — e o Espírito Santo mostra que é possível reduzir gravidade mesmo em eixos com grande circulação.

Em um país com predominância rodoviária, fazer da segurança viária um pacto permanente entre poder público, concessionárias, transportadores e usuários é a única saída para baixar sinistros e mortes — e para transformar nossos corredores em infraestrutura de vida.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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