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José Neto Rossini Torres

Artigo de Opinião

É CEO da Forttu Investimentos e autor dos livros: “Investe Logo: Compartilhando experiências com o investidor iniciante” e “O Caminho para o Sucesso na Assessoria de Investimentos: Processo, Relacionamento e Intensidade”
José Neto Rossini Torres

Quando o dinheiro chega antes de estarmos preparados

O Brasil ainda trata o dinheiro como tabu. Fala-se pouco em casa, pouco na escola e, muitas vezes, apenas quando surge um problema
José Neto Rossini Torres
É CEO da Forttu Investimentos e autor dos livros: “Investe Logo: Compartilhando experiências com o investidor iniciante” e “O Caminho para o Sucesso na Assessoria de Investimentos: Processo, Relacionamento e Intensidade”

Publicado em 06 de Janeiro de 2026 às 16:31

Publicado em 

06 jan 2026 às 16:31
Histórias de ganhadores de loteria que perdem tudo costumam causar espanto. Como alguém que recebeu milhões pode acabar em dificuldades financeiras poucos anos depois? A resposta, embora desconfortável, é simples: dinheiro não resolve despreparo. Pelo contrário, ele costuma amplificá-lo.
Casos assim, frequentemente noticiados, revelam um padrão, gastos impulsivos, decisões mal orientadas, confiança excessiva em terceiros, ausência de planejamento e nenhuma estrutura para transformar um ganho extraordinário em segurança de longo prazo. O dinheiro chega rápido, mas vai embora ainda mais rápido quando não encontra método, disciplina e propósito.
O problema, portanto, não está no dinheiro em si, mas na relação que construímos com ele ao longo da vida.
É nesse ponto que entra um segundo tema, cada vez mais debatido: educação financeira começa na infância. Especialistas defendem que nossas crenças sobre dinheiro são formadas muito cedo, ainda nos primeiros anos de vida. É quando aprendemos, muitas vezes sem perceber, se dinheiro é motivo de medo, conflito, culpa, escassez ou liberdade. Essas percepções moldam decisões futuras, inclusive quando volumes relevantes entram em cena.
Ensinar crianças a lidar com dinheiro não significa falar de investimentos complexos, mas sim trabalhar noções simples e poderosas. Escolha, consequência, planejamento, paciência e responsabilidade. Permitir que errem em pequeno grau, que façam escolhas e aprendam com elas, é uma forma de construir autonomia emocional e racional para decisões maiores no futuro.
O Brasil ainda trata o dinheiro como tabu. Fala-se pouco em casa, pouco na escola e, muitas vezes, apenas quando surge um problema. Isso ajuda a explicar por que tantos adultos, mesmo bem-sucedidos profissionalmente, enfrentam dificuldades para organizar suas finanças, planejar o futuro ou lidar com momentos de abundância.
Talvez o verdadeiro desafio não seja ensinar como enriquecer, mas sim como se comportar diante do dinheiro, pouco ou muito. Isso envolve educação, diálogo familiar, exemplos práticos e, mais adiante, apoio profissional qualificado.
Se quisermos uma sociedade financeiramente mais saudável, precisamos começar antes do problema aparecer. Educar crianças, conscientizar adultos e tratar o dinheiro com menos improviso e mais intencionalidade pode ser o passo mais importante para evitar que sonhos se transformem em pesadelos.
Afinal, o dinheiro não muda quem somos, apenas revela o quanto estamos preparados.
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