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É diretor da Gava Crédito Imobiliário e da Ademi Secovi ES

Por que esperar a Selic cair pode sair mais caro no mercado imobiliário

Quem decide comprar agora negocia e garante o preço hoje, e passa a participar desde já da valorização do imóvel. Já os juros podem ser negociados depois, quantas vezes for vantajoso

  • Ricardo Gava É diretor da Gava Crédito Imobiliário e da Ademi Secovi ES
Publicado em 25/01/2026 às 10h00

Com a Selic ainda em patamar elevado, 2026 começa com uma mudança sutil, porém relevante: maior previsibilidade sobre o cenário econômico. Antes mesmo de qualquer queda efetiva nos juros, bancos ajustam suas estratégias de crédito e compradores voltam a acompanhar o mercado com mais atenção.

Na Grande Vitória, esse contexto encontra um mercado imobiliário com base sólida. Nos últimos anos, os imóveis apresentaram valorização consistente e os aluguéis seguiram em alta, mesmo em períodos de maior restrição econômica. Isso se explica por fatores estruturais, como a demanda real por moradia, o crescimento urbano e a limitação de oferta em regiões consolidadas.

Outro ponto central que merece atenção é a relação entre oferta e demanda. Incorporadoras ajustaram o ritmo de lançamentos, priorizando projetos mais bem calibrados à demanda, enquanto a procura por imóveis permanece elevada. Esse descompasso faz com que a demanda cresça em ritmo superior ao da oferta, pressionando preços e sustentando a valorização dos imóveis ao longo do tempo, muitas vezes acima da inflação.

É justamente por isso que os melhores momentos de compra costumam acontecer antes de o cenário ficar totalmente favorável. No início de um novo movimento, ainda existe mais espaço para negociação e menos disputa entre compradores. Quando a melhora se consolida, a concorrência aumenta e os preços tendem a subir, reduzindo o poder de barganha de quem chega depois.

Esse movimento de maior previsibilidade já começa a se refletir nas condições de financiamento imobiliário, com cortes pontuais nas taxas e ampliação do acesso ao crédito. Historicamente, o mercado imobiliário reage antes da queda plena dos juros, o que faz com que compradores retornem antes do cenário estar totalmente ajustado.

Outro ponto relevante é o comportamento do mercado de locação. A combinação entre oferta limitada e demanda aquecida tem mantido os aluguéis em trajetória de alta. Para quem adia a compra, isso significa continuar pagando um custo mensal crescente, sem formação de patrimônio, enquanto o imóvel desejado segue se valorizando.

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O que levar em conta na compra de um imóvel. Crédito: Shutterstock

Quem decide comprar agora negocia e garante o preço hoje, e passa a participar desde já da valorização do imóvel. Já os juros podem ser negociados depois, quantas vezes for vantajoso. O financiamento imobiliário permite renegociar a taxa no futuro, por meio da portabilidade, sempre que isso for economicamente viável, gerando economia real com a redução do valor das parcelas mensais.

Para que essa decisão seja bem tomada, informação e orientação fazem diferença. A assessoria de crédito ajuda o comprador a comparar condições entre bancos e estruturar o financiamento de forma adequada ao orçamento, enquanto o corretor de imóveis contribui para uma negociação mais segura e objetiva.

Em um cenário de transição como o atual, mais importante do que tentar acertar o fundo dos juros é entender o custo do tempo: esperar pela Selic ideal pode significar pagar mais caro pelo mesmo imóvel ideal, se ele ainda estiver disponível até lá.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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