Em 1992, antes de aceitar o desafio de disputar a eleição para vereador de Cariacica e depois de um debate com lideranças da comunidade de Bela Aurora, onde eu morava, peguei o meu carro, um Chevette, cor prata, ano 1979, e fui para a casa dos meus pais, em Córrego Alto Moacir, então distrito de Governador Lindenberg, município de Colatina, para me aconselhar com eles sobre aquela importante decisão na minha vida.
Lá, tivemos uma longa conversa. Eles orientaram que a decisão deveria ser minha, após uma reflexão pessoal, mas fizeram algumas ponderações e me deram alguns conselhos. As palavras de Nadir e Demétrio ainda ecoam na memória e no coração. Dentre as coisas que eles me disseram, destaco as seguintes: “Se você quiser ser candidato, nós apoiaremos sua decisão, filho, mas tenha cuidado porque tem muita maldade, mentira e violência na política. E lembre-se: mantenha a fé, a humildade e o respeito; faça as coisas sempre bem-feitas e certas e nunca se envolva com coisa errada”.
Depois de um fim de semana com a família, voltei para Cariacica com a decisão tomada: ser candidato a vereador naquele ano. Fiz uma campanha com pouquíssimos recursos, mas com muito envolvimento de apoiadores voluntários, que me fizeram o oitavo vereador mais votado do município.
Esses ensinamentos foram decisivos para balizar minhas escolhas. Ao longo do tempo, fui compreendendo melhor aquelas palavras e me dediquei para colocá-las em prática. Embora eu tivesse levado muito a sério, não imaginava que aqueles conselhos fossem ser tão decisivos na minha trajetória política.
Hoje, tenho certeza de que a educação que recebi dos meus pais e da minha família foi decisiva na minha vida. Claro que o curso de filosofia, a Igreja, o Partido, os movimentos sociais e outras experiências que vivenciei ajudaram muito na minha formação, mas a base familiar sólida me ajudou a consolidar princípios cristãos, éticos e humanistas, que me fazem estar sempre preocupado com o bem coletivo e não com interesses pessoais.
Já exerci os cargos de vereador, deputado estadual e prefeito de Cariacica. Desde 2015, atuo como deputado federal. Em todos esses mandatos, mantive presentes os ensinamentos dos meus pais. Não abro mão de fazer as “coisas certas” (honestidade) e “bem-feitas” (competência). Político que se enriquece sem ter outra fonte de renda certamente está envolvido em atos ilícitos. E, geralmente, gestor público que não exerce mandato com competência e resultado é reprovado pela população.
Na vida e na gestão pública, é preciso ter a honestidade como princípio e a competência como meta em tudo que se faz. Além da capacidade de liderança, compromisso com a democracia, sensibilidade social e cuidado com as pessoas, os gestores devem ser portadores do binômio: honestidade e competência. Já vi gente honesta sem competência e gente competente desonesta. Quem não reúne essas duas condições não deveria exercer mandatos eletivos.
Infelizmente, ainda há muitos casos de corrupção na política e na sociedade. Os eleitores precisam ter mais critério nas suas escolhas e analisar cuidadosamente as trajetórias de quem disputa eleições e quer ocupar cargos públicos.
Este ano, aceitei o desafio de colocar meu nome para ser pré-candidato a governador do Estado do Espírito Santo, representando um movimento político coletivo, conectado com o projeto nacional liderado pelo presidente Lula. Mais do que apresentar um nome para a disputa, estamos discutindo, de forma participativa, um projeto para que o futuro do Espírito Santo seja mais promissor.
Fico pensando que, se os eleitores capixabas se orientassem por princípios, como os que aprendi com os meus pais, não seria escolhido para governar quem não tem humildade, respeito, diálogo, honestidade e competência.
Mantenho firme a fé cultivada desde a infância e tenho esperança de que as eleições de 2026 tragam boas notícias para o povo brasileiro e para o povo capixaba.
Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta.